Patriarca presidiu à Missa de São Vicente, padroeiro da diocese, sublinhando a importância da «proximidade» na missão dos católicos
Lisboa, 22 jan 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa afirmou hoje que a festa de São Vicente, padroeiro da diocese, representa um “apelo” ao cuidado dos mais frágeis e aos que vivem nas “periferias”.
“Vicente, mártir da caridade, convoca hoje a Igreja de Lisboa a procurar o rosto de Cristo nas periferias da existência, num tempo em que a solidão e a indiferença marcam o ritmo da nossa metrópole”, disse D. Rui Valério, na homilia da Missa a que presidiu na Sé Patriarcal.
Numa intervenção enviada à Agência ECCLESIA, o responsável católico destacou a atualidade do testemunho do diácono e mártir do século IV, apresentando-o como um modelo de quem reconhece, em cada rosto, a presença de Cristo.
“Nos pobres, nos feridos, nos desfigurados na sua dignidade, ele não via apenas uma necessidade social: percebia um apelo espiritual, um lugar de encontro com o Crucificado”, sublinhou.
Ele ensina-nos que a verdadeira revolução, aquela que sonha justiça, paz e reconciliação, não se faz com armas forjadas pelas mãos dos homens, mas com o amor que se dá até ao fim.”
Dirigindo-se de forma particular aos diáconos permanentes, D. Rui Valério desafiou-os a uma atitude de “proximidade”, prolongando a sua missão para lá do espaço litúrgico, “nas ruas, nos lugares onde a dor parecia ter a última palavra”.
“O Senhor constituiu os pobres como sacramentos da sua presença”, recordou o Patriarca, defendendo que resgatar vidas da “invisibilidade” é uma forma de tornar a Ressurreição eficaz na história.
Hoje, ao celebrarmos São Vicente, padroeiro do nosso Patriarcado, não o fazemos com a curiosidade distante de quem observa uma figura do passado, mas com a fé inquieta do homem e da mulher do nosso tempo.”
A celebração ficou marcada pela homenagem ao diácono Armando Dilão, antigo funcionário da Cúria Diocesana, que cessou funções após 30 anos de serviço na Chancelaria Patriarcal e foi também coordenador dos diáconos permanentes entre 1997 e 2020.
“Ser diácono não é apenas cumprir uma função; é ser o ‘cireneu da proximidade’. É saber que, quando todos se retiram, o servidor permanece”, afirmou D. Rui Valério.
O Patriarca de Lisboa projetou ainda o horizonte da diocese para o futuro, apontando para o ano de 2033, data que assinalará os dois mil anos da Redenção.
“Lisboa quer ser uma diocese empenhada em vencer a morte através do amor”, garantiu, exortando a Igreja local a combater a “acomodação” e o “tédio espiritual”.
Durante a Eucaristia, os diáconos permanentes da diocese renovaram as suas promessas de ordenação, uma tradição que se cumpre no Patriarcado desde 2015.
OC
| São Vicente, diácono em Saragoça (Espanha), foi morto no início do século IV, durante as perseguições do imperador romano Diocleciano contra os cristãos da Península Ibérica.
Segundo Prudêncio, um poeta cristão da antiguidade, os restos mortais de Vicente foram mandados lançar aos pântanos, fora dos muros da cidade, para que fossem devorados por animais, mas os seus restos foram protegidos por corvos, que impediram a profanação do corpo. A tentativa de recuperação do corpo foi ordenada por D. Afonso Henriques, que mandou construir o Mosteiro de São Vicente de Fora em 1147, no cumprimento de um voto dirigido a São Vicente pelo sucesso da conquista de Lisboa aos mouros. O corpo do mártir chega a Lisboa no dia 15 de setembro de 1173 e é depositado na igreja de Santa Justa e, no dia seguinte, foram trasladadas para o altar-mor da Sé e do Algarve chega tudo o que pertencia ao mártir. Uma relíquia é preservada com o propósito de ser venerada religiosamente, podendo ser um objeto pessoal ou partes do corpo de um santo, geralmente conservadas em recetáculos próprios, chamados relicários |
