Igreja/Saúde: Capelão dos Capuchos diz que o «difícil no SNS é entrar» e elogia qualidade dos profissionais

Padre Jorge Sobreiro defende missão de «porta aberta» a todas as religiões e destaca o papel da capelania no combate à «cultura da pressa»

Foto: Beatriz Pereira/RR

Lisboa, 25 jan 2026 (Ecclesia) – O coordenador dos Capelães Hospitalares no Patriarcado de Lisboa afirmou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) presta um serviço “espetacular” aos doentes, embora reconheça que o sistema está subdimensionado e com dificuldades no acesso.

“Percebemos que o Serviço Nacional de Saúde não está dimensionado para a procura que tem, é um facto. Mas entrando, depois já nós conseguimos um bom tratamento; o doente sente-se acolhido, há um serviço belíssimo, os profissionais são espetaculares no acompanhamento”, disse o padre Jorge Sobreiro, em entrevista à Renascença e à Agência ECCLESIA.

O capelão do Hospital de Santo António dos Capuchos sublinhou que os problemas de acesso, como as longas esperas nas urgências, são frequentemente partilhados pelos utentes.

“O que é que vem mais nas notícias? É aquilo que são as emergências, aquilo que são as urgências, e isso sim é uma luta, mas depois entrando tudo fica mais fácil”, observou o sacerdote.

O padre Jorge Sobreiro relatou o caso de uma doente que esperou quatro dias numa urgência até conseguir internamento, ilustrando a missão do assistente espiritual como alguém que escuta a “vulnerabilidade” e ajuda a reconstruir a dignidade de quem se sente “um número”.

Sobre o modelo de assistência espiritual, o responsável destacou a imagem da “porta aberta”, inspirada na própria arquitetura do Hospital dos Capuchos, onde a capela serve de ponto de acolhimento para crentes e não crentes.

“A simples presença continua a ser a melhor solução”, defendeu, explicando que a missão vai além da prática sacramental e se estende a católicos, muçulmanos, agnósticos ou ateus.

O sacerdote referiu o trabalho de colaboração ecuménica e inter-religiosa, exemplificando com situações em que a capelania facilita o contacto com representantes de outras confissões, para garantir o acompanhamento adequado a cada doente.

Em sintonia com a mensagem do Papa para o próximo Dia Mundial do Doente (11 de fevereiro), que pede gestos de proximidade para combater a cultura do descarte, o padre Jorge Sobreiro assumiu o papel da capelania como um “contraponto” aos ritmos clínicos acelerados.

“Eu quando chego a uma cama, a primeira coisa que vejo, que procuro, é uma cadeira para me sentar. Mesmo que esteja pouco tempo, mas sentar-se é importante, ou seja, estar lá”, afirmou.

O capelão recordou um episódio em que passou duas horas a acompanhar a irmã de uma doente em fim de vida, abdicando de outras visitas para garantir aquela presença essencial.

O coordenador dos capelães no Patriarcado de Lisboa alertou ainda para a necessidade de cuidar de quem cuida, organizando iniciativas como peregrinações para aliviar a “pressão enorme” e o “sofrimento acumulado” dos profissionais de saúde.

“Nós capelães também temos esta missão, não do autocuidado nosso, mas também do cuidado dos profissionais”, concluiu.

Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)

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