D. Inácio Saure destaca que dimensão desta crise «exige esforços conjuntos, recursos adequados e uma resposta coordenada»

Maputo, 22 jan 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) apela à solidariedade, “com sentido de urgência”, de todas as pessoas e instituições religiosas, publicas e privadas, aos “parceiros e amigos da comunidade internacional”, com as vítimas das cheias e inundações no país.
“A dimensão desta crise exige esforços conjuntos, recursos adequados e uma resposta coordenada, capaz de aliviar o sofrimento imediato e de promover a recuperação e a reconstrução das comunidades afetadas”, lê-se na mensagem de solidariedade da CEM com as vítimas das cheias e inundações, enviada à Agência ECCLESIA.
Os bispos católicos da Conferência Episcopal de Moçambique explicam que estão a acompanhar “com elevada solicitude pastoral e profunda preocupação” a situação provocada pelas cheias e inundações que atingem o país africano, principalmente nas regiões sul e centro, e que estão a causar “perdas de vidas humanas, destruição de bens”, o deslocamento de famílias e o “agravamento das condições de vida das populações já vulneráveis”.
O presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, D. Inácio Saure (arcebispo de Nampula), que assina a mensagem, apela, “com sentido de urgência, à mobilização solidária” dos fiéis, das instituições públicas e privadas, das organizações da sociedade civil e das confissões religiosas, de todas as pessoas de boa vontade, e “ao apoio dos parceiros e amigos da comunidade internacional”.
A CEM pede também que se intensifiquem “a oração, a partilha de bens e as iniciativas de apoio fraterno”, por partes das dioceses, paróquias, comunidades religiosas, movimentos eclesiais e comunidades novas, em articulação com as estruturas sóciocaritativas da Igreja Católica no país lusófono, nomeadamente a Cáritas Moçambicana, que tem delegações em todas as dioceses, e está “empenhada na assistência às populações atingidas”.
O presidente da CEM, o arcebispo de Nampula, afirma que “a Igreja sente como sua a dor do povo moçambicano e não só”, e reconhecem que este é um tempo que “interpela à consciência individual e coletiva”, chamando “à conversão do coração, à responsabilidade solidária e ao compromisso concreto com a vida humana e com o bem comum”.
“Queremos manifestar a nossa proximidade espiritual e solidariedade fraterna a todas as vítimas desta calamidade. Partilhamos a angústia das famílias enlutadas, dos desalojados e de todos aqueles que viram comprometida a sua dignidade e o seu futuro”, acrescenta D. Inácio Saure, na mensagem de solidariedade.
Os bispos católicos de Moçambique olhando para o futuro, para além desta emergência causada pelas cheias e inundações, renovam o apelo “a um compromisso sério com a prevenção, a proteção da vida e o cuidado da casa comum”, para que o país esteja “cada vez mais preparado para enfrentar situações semelhantes”.
O Governo moçambicano alertou para as cheias de “alta magnitude” na Província de Gaza, após descargas de emergência na barragem de Massingir, que atingiu a cota máxima, pela primeira vez desde 1977, obrigando à retirada imediata da população, há uma semana, no dia 15 de janeiro.
Em Moçambique, desde o início da época chuvosa, em outubro, já morreram pelo menos 94 pessoas, devido às fortes chuvas, situação que se agravou sobretudo desde o final de dezembro, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) de Moçambique; de 21 de dezembro a 13 de janeiro morreram oito pessoas e cerca de 4 mil casas foram destruídas.
CB/OC




