Évora 2027: Arquidiocese quer igrejas de portas abertas e valorização do património religioso

D. Francisco Senra Coelho aponta a iniciativas como roteiros digitais, um livro monumental sobre a Catedral e ciclo de concertos, num programa que une «saber e sabor»

Foto: Agência ECCLESIA/CB

Albufeira, 22 jan 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Évora afirmou que a Igreja Católica está a apostar na programação própria para a Capital Europeia da Cultura, com roteiros digitais e o alargamento do horário de abertura das igrejas.

“O que é o património de Évora, se lhe tirarmos a Sé, se lhe tirarmos São Francisco, se lhe tirarmos o Espírito Santo?”, questionou D. Francisco Senra Coelho, em declarações à Agência ECCLESIA.

Falando em Albufeira, à margem das jornadas do clero do Sul, o responsável explicou que a arquidiocese quer inspirar-se na dinâmica do “Vagar”, tema central da Capital Europeia da Cultura 2027.

“Não há saber que não leve ao sabor. E também não há saber sem experimentar o sabor da vida. Por isso é preciso, de facto, parar, refletir”, sublinhou.

O projeto “Évora Sacra”, coordenado pelo cónego Mário Tavares de Oliveira, inclui a criação de um roteiro digital que permitirá aos visitantes, através do telemóvel, conhecer a história de cada altar e imagem das igrejas da cidade.

D. Francisco Senra Coelho destacou ainda a preparação de uma “obra monumental” sobre a Catedral de Évora, um livro de cariz científico que preencherá uma lacuna na história do monumento.

A este respeito, o responsável realçou o estado de conservação da Sé, que possui “dois órgãos”, incluindo um exemplar único do século XVI, de estilo renascentista, que será uma das ofertas culturais aos visitantes, a par da valorização dos espaços de arte sacra da cidade alentejana.

O arcebispo realçou a valorização da Cartuxa e da obra do pintor Frei Miguel, figuras ligadas à contemplação e ao “vagar”.

Para concretizar este acolhimento, D. Francisco Senra Coelho lançou um apelo à mobilização dos eborenses, admitindo a necessidade de manter as igrejas abertas em horário noturno durante o verão.

“Vai ser Évora que vai vir para a rua, vai ser Évora que vai receber e acolher e porventura pôr as igrejas preparadas para receber até às 23h00, 24h00, porque nos meses de verão imagino que Évora vai ser muitíssimo frequentada”, antecipou.

A programação aposta também na música e na descentralização, com concertos em santuários e igrejas de toda a arquidiocese, não se limitando à cidade, e culminará com a atuação da Orquestra e Coro Gulbenkian.

A proposta da Arquidiocese de Évora estrutura-se em volta de 14 eixos centrais, que destacam a espiritualidade, o património religioso e a interioridade, promovendo momentos de reflexão, contemplação e diálogo entre fé e cultura.

OC

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