Esmoler do Papa pede cobertores e roupa térmica para um povo que vive «no escuro» e sob temperaturas negativas, enquanto a Caritas local relata «luta pela sobrevivência»

Cidade do Vaticano, 21 jan 2026 (Ecclesia) – O esmoler do Papa, cardeal Konrad Krajewski, lançou hoje um apelo urgente à solidariedade internacional perante o agravamento da crise humanitária na Ucrânia, onde os ataques russos às infraestruturas deixaram milhares de pessoas sem aquecimento sob temperaturas negativas.
“Não se pode permanecer indiferente à dor, ao sofrimento, é preciso agir, porque o risco, como diz o Papa Leão, é o da ‘globalização da impotência’”, alertou o responsável do Dicastério para o Serviço da Caridade, citado pelo portal ‘Vatican News’.
O cardeal polaco pediu o apoio à recolha de bens essenciais iniciada pela Basílica de Santa Sofia, em Roma, solicitando especificamente aquecedores químicos, roupa térmica, cobertores e alimentos energéticos para enviar para o país.
O apelo surge num momento em que a Ucrânia enfrenta “o inverno mais rigoroso dos últimos anos”, com temperaturas a descerem aos 15 graus negativos e ataques russos que deixaram mais de 5600 edifícios sem aquecimento em Kiev, na noite de 19 para 20 de janeiro.



O padre Vyacheslav Hrynevych, diretor da Caritas-Spes Ucrânia, descreveu a situação como uma “luta pela sobrevivência”, relatando que muitas pessoas são obrigadas a abandonar as suas casas não só para fugir das bombas, mas também do frio.
“É importante não desviar o olhar do que está a acontecer na Ucrânia, não pensar que se trata de uma guerra distante”, pediu o sacerdote, destacando, no entanto, a “resiliência” da população que continua a partilhar o pouco que tem.
A Caritas instalou em Kiev um “ponto de resiliência” com geradores, onde as pessoas podem aquecer-se e carregar dispositivos, e distribui refeições quentes a centenas de necessitados.
Também o padre Taras Zheplinsky, da Igreja Greco-Católica, enviou um testemunho da capital ucraniana, onde a catedral é iluminada apenas pelos faróis dos carros e bairros inteiros estão sem luz e água.
“Estamos na escuridão e na sombra da morte, mas sobre nós brilha a luz de Cristo e a luz da vossa solidariedade”, afirmou o sacerdote, agradecendo o “calor” que chega da Igreja universal e que ajuda a aquecer “as mãos geladas” dos ucranianos.
OC
