Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, recebeu apresentação da publicação, que este ano tem como tema «Religião e Ecologia»

Lisboa, 21 jan 2026 (Ecclesia) – A Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, acolheu esta terça-feira a apresentação do calendário inter-religioso “Celebração do Tempo 2026”, definido como uma forma de aproximar os diferentes credos e de integrar a população migrante.
“Este calendário, que já é publicado há mais de duas décadas, realmente é um instrumento extraordinário do conhecimento da diversidade do religioso no mundo, aqui presente em Portugal, nas duas diferentes comunidades religiosas que cá residem”, afirmou José Eduardo Franco, da coordenação científica da iniciativa, em declarações à Agência ECCLESIA.
A publicação conta com 11 calendários das religiões mais representativas em Portugal, com datas acompanhadas de explicações sobre a sua origem e comportamentos relacionados com cada uma delas, além de incluir conteúdos sumariados sobre a história, doutrina, símbolos e textos sagrados de cada credo.
Nela é possível encontrar informações sobre o Hinduísmo, Tradições chinesas, Judaísmo, Budismo, Cristianismo (Gregoriano e Juliano), Islão, Fé Bahá’í e efemérides nacionais e internacionais.
O investigador José Eduardo Franco caracteriza o calendário como uma “ferramenta de integração”, salientado que a melhor forma de praticar esta atitude e respeitar o outro é “conhecê-lo nas suas crenças, no seu ideário religioso e cultural”.
É um instrumento que, de uma forma muito sintética, destaca o que melhor as religiões têm para oferecer em termos de sabedoria para a construção de uma sociedade mais equilibrada, mais harmónica, mais fraterna”, declarou.
Este é um projeto promovido pelo Grupo de Trabalho para o Diálogo Inter-Religioso e pela AIMA – Agência para a Integração, Migrações e Asilo, que trabalha na integração de migrantes, e que esteve representada pelo presidente do conselho diretivo.
“É uma publicação simples mas é bastante simbólica e bastante densificada, se quisermos, até no valor espiritual que ela mesmo encerra”, afirmou Pedro Gaspar.
O responsável considera que é a partir de ações como a divulgação deste calendário inter-religioso que se caminha “na base da tolerância e, naturalmente, respeitando a diversidade e com uma mensagem de integração e de inclusão”.
A publicação resulta da colaboração entre diversas tradições religiosas, em parceria com a Paulinas Editora, cuja diretora, irmã Eliete Duarte, participou na apresentação.
Este calendário é muito importante para conhecermos as diferenças, só assim é que nós podemos acolher o outro, sabendo quem ele é, como é que vive, como é que celebra, como é que são as suas datas mais importantes da vida. Este calendário quer mesmo ser uma aproximação entre as pessoas”, referiu.
A religiosa realça a envolvência da Igreja Católica nesta iniciativa, para a qual olha com “alegria imensa”: “Não estamos aqui a querer celebrar louros, mas a dizer assim, nós somos capazes, somos mais, mas vamos ao encontro dos menos”.
Este ano, o calendário inter-religioso centra-se no tema “religião e ecologia”, contendo cada página uma imagem da diversidade de ecossistemas existentes em Portugal.
“Diversos representantes de cada uma das suas confissões escreveram um texto específico sobre a forma como a sua confissão religiosa encara a questão da ecologia”, explica Ezequiel Duarte, do Grupo de Trabalho para o Diálogo Inter-Religioso.

As datas celebrativas relacionadas com a temática estão destacadas a negrito para facilitar a sua localização.
“Nós estamos aqui a falar de um projeto que é entre confissões cristãs, o calendário é inter-religioso, portanto, creio que aqui também podemos aprender com as outras religiões, porque todas têm uma base onde encontramos o respeito pela natureza”, ressaltou Débora Raimundo, da ‘A Rocha – Associação Cristã de Estudos e Defesa do Ambiente’, da Aliança Evangélica Portuguesa.
A organização está envolvida no programa “Eco Igrejas Portugal”, conjunto de projetos centrados na capacitação das igrejas e comunidades de fé com o objetivo da sua transformação sustentável refletida na forma como ensinam, atuam e comunicam, e está aberto a todas as confissões cristãs.
“Nós já temos recebido muitos contactos por parte de paróquias, até dioceses que estão muito expectantes para iniciar a sua jornada, mas a certificação Eco Igrejas Portugal estará disponível muito em breve, estamos um pouco atrasados em relação à nossa plataforma digital, mas contamos que esse problema seja resolvido em breve”, indicou Débora Raimundo.
A responsável enfatiza que o objetivo não é uniformizar as tradições religiosas, mas caminhar lado a lado, respeitando as diferenças.
“É um caminho que talvez às vezes seja mais longo, porque temos que criar confiança. O caminho ecuménico é um caminho de construção de confiança, mas é um caminho que nos deixa mais ricos, mais enriquecidos”, evidenciou.
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