D. Gabriele Caccia assinalou a importância da cooperação internacional e abordou o sofrimento das vítimas, num discurso proferido em Nova Iorque, EUA

Nova Iorque, EUA, 20 jan 2026 (Ecclesia) – O observador permanente da Santa Sé na Organização das Nações Unidas (ONU) defendeu hoje, em Nova Iorque (EUA), a necessidade de “medidas preventivas eficazes” para a prática de crimes contra a humanidade.
D. Gabriele Caccia assinalou que “as violações da santidade da vida humana persistem e, em muitos contextos, parecem estar a aumentar”, no discurso proferido no Comité Preparatório da Conferência das Nações Unidas sobre Prevenção e Punição de Crimes contra a Humanidade.
“A contínua ausência de respostas coletivas eficazes não é isenta de consequências: crianças, mulheres e membros de minorias étnicas e religiosas continuam a sofrer perseguição, violência e morte, de formas que ferem profundamente a dignidade humana e a consciência moral da humanidade”, afirmou o responsável, citado pelo portal de notícias ‘Vatican News’.
O arcebispo informou que a Santa Sé saúda o trabalho do Comité Preparatório e aprecia a oportunidade oferecida “para abordar, de maneira estruturada e ponderada”, estes crimes, “um dos desafios mais sérios” da atualidade.
Proibidos pelo direito internacional consuetudinário, estes devem ser prevenidos através do desenvolvimento de medidas explícitas, com o objetivo de, acrescenta, “preservar a coerência jurídica, promover a confiança entre os Estados e facilitar o consenso mais amplo possível”.
O observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas lembrou o Papa que, num discurso ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé (9 jan 2026), disse que “para dialogar, é necessário que haja um acordo sobre as palavras e os conceitos utilizados”.
“Redescobrir o significado das palavras é talvez um dos principais desafios do nosso tempo”, afirmou D. Gabriele Caccia, citando Leão XIV.
Salientando que “os Estados têm o dever primordial de “prevenir e combater crimes contra a humanidade”, o arcebispo italiano referiu que as jurisdições nacionais continuam a ser “o principal local de investigação e ação penal”.
No entanto, a cooperação internacional deve “abordar as dimensões transnacionais de tais crimes” e apoiar as nações “que não têm capacidade para cumprir efetivamente suas obrigações”, realçou D. Gabriele Caccia.
O responsável indica que “essa cooperação deve fortalecer, e não enfraquecer, os princípios da complementaridade, do devido processo legal e do pleno respeito pelos direitos humanos fundamentais”.
A situação das vítimas também deve estar no centro dos esforços para prevenir crimes contra a humanidade, evidenciou ainda o observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, ressaltando que sofrimento dessas pessoas “exige justiça, proteção e assistência”, bem como garantias legais, para que “suas vozes sejam ouvidas e sua dignidade seja protegida”.
D. Gabriele Caccia pediu “procedimentos justos” e “pleno respeito aos direitos humanos fundamentais”, tanto para as vítimas quanto para as testemunhas.
A Santa Sé “espera um diálogo aberto e construtivo, atento às legítimas preocupações de todas as delegações, a fim de desenvolver uma resposta eficaz e duradoura aos crimes contra a humanidade”, concluiu.
LJ/OC
