A terminar funções, André Cardoso pede que processos de auscultação dos jovens sejam consequentes, dá conta de «mudanças» na forma de participação juvenil mas que compromisso e participação dos jovens não é menor na sociedade atual

Lisboa, 21 jan 2026 (Ecclesia) – André Cardoso, durante dois anos presidente do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), pediu “coragem” para colocar “jovens em lugares de liderança”, privilegiando uma “visão integrada” e que aplique o que os processos de escuta apresentam.
“Depois da escuta, tem que se passar para o passo seguinte, que é planear aquilo que da escuta resultou e executar aquilo que resultou da escuta. Porque se nós não executarmos aquilo que resultou da escuta, vamos ter uma fraca participação no próximo processo de auscultação”, explica o jovem de 27 anos, que termina em fevereiro dois anos de funções como presidente do CNJ.
O responsável sublinha a necessidade de “executar o que foi auscultado e executar com os jovens”, referindo-se a estruturas sociais ou pertencentes à Igreja.
“Enquanto não tivermos a coragem de colocar jovens em cargos de liderança, não estamos a trazer uma perspetiva daqueles que são quem mais perspetiva vivenciar mais tempo o país em que quer estar instalado. Tem que haver uma coragem dos partidos políticos em dar cargos elegíveis, dar cargos de liderança a estes mesmos jovens”, aponta.
“Quando temos conselhos pastorais que são avessos a mudanças; falta de visão dos nossos pastores, falta de encontros com os jovens para que se envolvam mais, que falem mais a linguagem dos jovens, estamos a criar barreiras ao invés de construir pontes, para que efetivamente construamos uma Igreja de futuro”, acrescenta.
Formado em Direito e, desde a sua infância, no Corpo Nacional de Escutas na paróquia de Marinhas, em Esposende, André Cardoso foi desafiado para presidir ao CNJ, uma função atribuída ao CNE que termina no final do mês de janeiro.
André Cardoso fala na importância de “usar o palco” para escutar todas as vozes, crescer com a diversidade e ampliar perspetivas, e “furar a bolha”.
“Quando falamos de representação da juventude, temos que assumir que eu sou um privilegiado porque estive sempre neste meio, assim como os que chegam de juventudes partidárias, de movimentos associativos e juvenis, com representação no CNJ. Mas precisamos furar a bolha para escutar o outro que não está em grupos formais, que vive num bairro social, mas que é jovem na mesma, e que, acima de tudo, tem voz”, concretiza.
Os dois anos de funções levaram André Cardoso a inúmeras viagens nacionais e internacionais onde escutou e conheceu diversas realidades que o levam hoje a assumir que o jovem procura atualmente novas formas de participação, “distantes das formais”, mas que isso não implica menos compromisso participativo.
“Os jovens não se sentem já motivados a envolverem-se em estruturas demasiado rígidas e formais mas estão cada vez mais motivados a emitirem a sua opinião através de formas não formais, como por exemplo nas redes sociais. Temos de conseguir materializar e responsabilizar aquela opinião, trazendo-os novamente para os momentos, para as dinâmicas formais”, indica.
André Cardoso continua apostado em cultivar o “espirito de solidariedade” e de contribuição que cada pessoa é chamada a dar.
“Quando temos um crescimento de movimentos bélicos, de confronto, é porque esta solidariedade entre povos, entre nações, está em falta. E isso trabalha-se desde o mais local. Porque se na nossa própria freguesia não sentirmos essa solidariedade entre todos, não podemos querer exigir da mais alta instância essa mesma solidariedade entre povos. E isso trabalha-se. Daí a educação ser fundamental nas crianças e nos jovens. E é o maior investimento que nós podemos ter”, indica.
A conversa com André Cardoso pode ser acompanhada no programa ECCLESIA, emitido esta noite na Antena 1, e disponibilizado no podcast «Alarga a tua tenda».
LS
