«Temos a missão essencial de levar a luz do Senhor aos recantos mais obscuros do nosso mundo», indicou Leão XIV, que cumpriu a tradição de receber esta delegação nórdica

Cidade do Vaticano, 19 jan 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV afirmou hoje que aprecia os “muitos sinais de esperança” encontrados entre os cristãos da Finlândia, ao receber no Vaticano uma delegação ecuménica do país nórdico, por ocasião da festa de Santo Henrique.
“Numa época em que as pessoas são frequentemente tentadas pelo desespero, temos a missão essencial, como mensageiros cristãos da esperança, de levar a luz do Senhor aos recantos mais obscuros do nosso mundo”, disse o Papa, esta segunda-feira, 19 de janeiro, lembrando que o Jubileu da Esperança terminou, mas a “esperança cristã não conhece fim nem limites”.
“Encorajados e fortalecidos pela graça de Jesus Cristo, que é a própria encarnação da esperança para todos, somos chamados e enviados a testemunhar esta verdade salvadora com palavras edificantes e obras de caridade”, acrescentou, no discurso enviado à Agência ECCLESIA pela Santa Sé.
Leão XIV afirmou que aprecia “os muitos sinais de esperança” encontrados entre os cristãos da Finlândia, e revela que ficou “contente” por saber que a Finlândia foi descrita como “um país modelo para o ecumenismo”, e destacou a declaração trilateral ortodoxa-luterana-católica dos bispos de Helsínquia, que procuram promover uma “cultura de esperança, dignidade e compaixão”, e afirmaram que “o desenvolvimento dos cuidados paliativos e de fim de vida deve continuar”.
Segundo o Papa, é também “digno de nota” que a Conferência Episcopal Católica Nórdica tenha reconhecido o documento do Diálogo Nacional Católico-Luterano, ‘Comunhão em Crescimento’, na sua própria “Declaração de Recepção”, em setembro passado de 2025, chamando-lhe “um marco valioso na jornada ecuménica”.
Para Leão XIV estes exemplos de cooperação, com a “longa tradição” de celebrarem junto o Dia de Santo Henrique, são “sinais eloquentes de um ecumenismo prático e frutífero”, e podem servir para encorajar a sexta fase do Diálogo Internacional Católico-Luterano, que começa no próximo mês.
No seu discurso, o Papa assinalou que a visita da Delegação Ecuménica da Finlândia a Roma e ao Vaticano coincide “felizmente” com a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026, que decorre no hemisfério norte de 18 a 25 de janeiro, e tem este ano como tema ‘Há um só corpo e um só Espírito’, da Carta de São Paulo aos Efésios.
“Esta esperança tem o seu fundamento seguro no “único Baptismo para a remissão dos pecados” (Credo Niceno-Constantinopolitano), que é a própria raiz de toda a fraternidade cristã”, referiu o Papa Leão XIV.
A audiência à Delegação Ecuménica da Finlândia, um encontro anual, acontece por ocasião da festa de Santo Henrique (20 de janeiro), bispo que nasceu na Inglaterra e morreu mártir na Finlândia em 1156.
| Os materiais de oração e reflexão para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026 foram preparados por um grupo ecuménico coordenado pelo Departamento para as Relações Inter-religiosas da Igreja Apostólica Arménia.
Segundo o guião do Oitavário, a unidade é apresentada como “um mandamento divino no cerne da nossa identidade cristã, mais do que um simples ideal”. O ecumenismo é o conjunto de iniciativas e atividades tendentes a favorecer o regresso à unidade dos cristãos, quebrada no passado por cismas e ruturas. As principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igreja Copta, do Egito, entre outras); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igrejas Ortodoxas); no século XVI, com a Reforma Protestante e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Anglicana). O ‘oitavário pela unidade da Igreja’ começou a ser celebrado em 1908, por iniciativa do norte-americano Paul Wattson, presbítero anglicano que mais tarde se converteu ao catolicismo. |
CB
Ecumenismo: Papa convida católicos a rezar pela «plena unidade visível» de todos os cristãos


