Arcebispo de Maputo apela à participação na campanha de ajuda a «tantas famílias atingidas» pelas cheias

Maputo, 19 jan 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Maputo enviou uma mensagem de “solidariedade, proximidade e esperança” e apelou à ajuda de todos para reconstruir casas e também “reconstruir relações”.
“Olhando já para o pós-cheias, somos chamados não apenas a reconstruir casas, mas também a reconstruir relações, atitudes e responsabilidades, para que situações semelhantes encontrem um povo mais preparado, mais atento e mais solidário”, afirmou D. João Carlos Nunes numa mensagem divulgada pela Arquidiocese de Maputo.
O arcebispo de Maputo lembra que “as cheias não são apenas um fenómeno natural”, porque interpelam “enquanto pessoas, comunidades e sociedade” e chamam “à responsabilidade, ao discernimento, ao cuidado com a casa comum e à atenção aos mais vulneráveis”, rejeitando “discursos que dividem”.
“Este não é tempo de acusações estéreis nem de discursos que dividem, como tantas vezes vemos na imprensa e nas redes sociais. E tempo de consciência, conversão e compromisso, de uma fé que se traduz em gestos concretos de amor e solidariedade”, afirmou.
D. João Carlos Nunes apela à participação na campanha da Cáritas Arquidiocesana de Maputo, que “está a levar a cabo uma campanha de recolha de apoios” com o objetivo de “mitigar o sofrimento de tantas famílias atingidas”.
Trata-se de um sinal concreto de uma fé que se faz próxima e solidária. Encorajamos vivamente as paróquias, comunidades, grupos e todos os fiéis da Arquidiocese a continuarem a mobilizar-se, promovendo gestos simples, mas eficazes, de auxílio fraterno. Todos podem dar a sua contribuição, por menor que seja. Cada gesto conta, cada partilha é um sinal de esperança para quem perdeu quase tudo”.
D. João Carlos Nunes espera que neste momento difícil “nasça uma Moçambique mais consciente, mais fraterna e mais cuidadosa com a vida humana e com a criação”.
“Confio este caminho ao Senhor e à proteção maternal de Maria Santíssima. Que a esperança contagie os nossos corações e que a solidariedade seja a linguagem comum deste tempo de provação”, afirmou.
D. João Carlos Nunes diz que a Província Eclesiástica de Maputo e muitas outras regiões do País foram “profundamente atingidas” pelas cheias, deixando “inúmeras as famílias desalojadas, pessoas que perderam os seus bens, o seu sustento e, em alguns casos, entes queridos”.
“A dor do nosso povo é real, concreta e clama por compaixão”, afirma o arcebispo de Maputo na mensagem divulgada hoje.
Neste contexto de sofrimento coletivo, invocamos a proteção de Deus, nosso Pai misericordioso, que nunca abandona os seus filhos, e confiamos todos os atingidos à intercessão maternal de Nossa Senhora, Mãe de esperança e consolação, para que ampare os que choram, fortaleça os que perderam tudo e sustente aqueles que trabalham no socorro às vítimas”, escreve D. João Carlos Nunes.
Em Moçambique, desde o início da época chuvosa, em outubro, já morreram pelo menos 94 pessoas, devido às fortes chuvas, situação que se agravou sobretudo desde o final de dezembro, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) de Moçambique; de 21 de dezembro a 13 de janeiro morreram oito pessoas e cerca de 4.000 casas foram destruídas.
PR
