Moçambique: Cáritas Diocesana de Xai-Xai apela à solidariedade com as pessoas afetadas pelas cheias

«Há muitas pessoas a pedir socorro de todas as formas», assinalou irmã Ana Cristina, religiosa vicentina

Foto Luisa Nhantumbo/EPA/Lusa

Chokwé, Província de Gaza, Moçambique, 19 jan 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Diocesana de Xai-Xai, em Moçambique alerta que há “pessoas isoladas nos tetos das casas”, por causa das chuvas e cheias no território, e fez um apelo à solidariedade de “todas pessoas de boa vontade”.

“Muitas pessoas encontram-se isoladas nos tetos das casas clamando por resgate”, informa a Cáritas da Diocese de Xai-Xai, sobre a Região Pastoral de Chokwé, num comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

A Cáritas Diocesana de Xai-Xai, na Província de Gaza, explica que são nove os distritos afetados pelas cheias no território diocesano – Chokwé, Guija, Massingir, Mabalane, Chigubo, Mapai, Massagena, Chibuto e Chicualacuala –, e com a exceção de Chibuto “não tem comunicação entre si e com a capital da Província”.

A irmã Ana Cristina, religiosa vicentina em Chokwé, disse que a “água das cheias cobriu toda a vila”, este domingo parecia que estava “a reduzir um pouco, mas como a chuva é intensa”, não tinha a certeza se ia passar “em menos de uma semana”, em informação enviada à Agência ECCLESIA.

“Há muitas pessoas pedindo socorro de todas as formas. Fome é o que reclama o povo que se encontra no prédio da Escola Secundária em Chokwe”, acrescentou, esta segunda-feira, lamentando que as Irmãs Vicentinas não têm “meios de chegar” às pessoas e “ajudar com o pouquinho” que têm.

O Governo moçambicano alertou para as cheias de “alta magnitude” em Gaza, na quinta-feira, dia 15 de janeiro, após descargas de emergência na barragem de Massingir, que atingiu a cota máxima, pela primeira vez desde 1977, obrigando à retirada imediata da população, divulga a Lusa.

No distrito de Chokwé, este sábado, dia 17 de janeiro, contabilizavam-se 170,000,00 (cento e setenta mil) pessoas afetadas, destas  11 142  encontra-se no centro de transito de Chiaquelane, 9 213  no centro de transito de Chinhacanine e 5 077 no centro transitório de Hokwe, tinham sido afetados os postos administrativos de Lionde, Macaretane, Chilembene e posto sede.

A Cáritas Diocesana de Xai-Xai apela à “caridade de todos os cristãos” da diocese moçambicana e de “todas pessoas de boa vontade” para criarem movimentos de solidariedade e “ajuda aos irmãos que perderam tudo”, e indica que esses apoios podem ser canalizados para o secretariado de coordenação pastoral.

Sobre as principais dificuldades no tereno, o braço social da Igreja Católica alerta para a falta de tendas para abrigar as pessoas, a falta de redes mosquiteiras, deficiente fornecimento de água, saneamento e falta de comida e utensílios de higiene básica.

A Cáritas Diocesana de Xai-Xai destaca também, sobre a sua intervenção, a evacuação de pessoas em situação de vulnerabilidade para o centro de trânsito em Chiaquelane, onde tem um armazém “para o aprovisionamento dos bens de apoio”, o fornecimento de àgua aos deslocados, e construção de latrinas, por exmpelo.

Em Moçambique, desde o início da época chuvosa, em outubro, já morreram pelo menos 94 pessoas, devido às fortes chuvas, situação que se agravou sobretudo desde o final de dezembro, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) de Moçambique; de 21 de dezembro a 13 de janeiro morreram oito pessoas e cerca de 4.000 casas foram destruídas.

CB

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