Vaticano: Cardeal Parolin critica «soluções de força» na Gronelândia e lamenta «tragédia infinita» no Irão

Secretário de Estado adverte contra o enfraquecimento do multilateralismo e revela tentativa falhada de acordo na Venezuela para evitar «derramamento de sangue»

Foto: Vatican Media

Roma, 17 jan 2026 (Ecclesia) – O secretário de Estado do Vaticano manifestou hoje a sua preocupação com o cenário internacional, rejeitando o uso da força para resolver a questão da Gronelândia e questionando a violência das autoridades contra a população no Irão.

“Não se podem utilizar soluções de força. Resolver controvérsias e fazer valer as próprias posições exclusivamente com a força, além de não ser aceitável, aproximará cada vez mais de uma guerra dentro da política internacional”, advertiu o cardeal Pietro Parolin, em declarações aos jornalistas, em Roma.

À margem de uma celebração eucarística na igreja da Domus Mariae, o responsável pela diplomacia da Santa Sé defendeu o “valor do multilateralismo” face às tensões na Gronelândia, lamentando o enfraquecimento do espírito de cooperação que caracterizou o pós-guerra.

Sobre a situação no Irão, o cardeal Parolin não escondeu a sua consternação, classificando os acontecimentos como uma “tragédia infinita” e questionando diretamente a atuação das autoridades.

“Pergunto-me como é possível atacar o próprio povo, que tenha havido tantas mortes”, declarou, apelando a uma solução pacífica.

O colaborador do Papa abordou ainda a crise na Venezuela, assumindo que a Santa Sé tentou mediar um entendimento para evitar a violência, sem sucesso imediato.

“Tentámos encontrar uma solução que evitasse qualquer derramamento de sangue, talvez chegando a um acordo com Maduro e com outros representantes do regime, mas isso não foi possível”, referiu, em declarações divulgadas pelo portal ‘Vatican News’.

O cardeal Pietro Parolin manifestou o desejo de que a atual incerteza dê lugar à estabilidade, permitindo a “recuperação económica” e a “democratização do país”.

As declarações foram proferidas após uma Missa com a exposição das relíquias de São Pedro Jorge Frassati, contexto que levou o secretário de Estado a comentar a morte de um jovem estudante no instituto Einaudi-Chiodo de La Spezia, defendendo “mais educação do que repressão” como resposta à violência juvenil.

OC

Partilhar:
Scroll to Top