Investigador salientou que a Igreja «não tem, propriamente, que potenciar» a inteligência artificial, mas continuar a acompanhar o homem e a humanidade «com o seu saber, discernimento», e «experiência milenar»
Fátima, 17 jan 2026 (Ecclesia) – Henrique Leitão disse hoje que “é preciso que as pessoas se familiarizem com as novas tecnologias”, que experimentem e vejam “as incríveis possibilidades”, na Jornada Nacional da Pastoral da Cultura 2026, que refletiu sobre o papel da inteligência artificial.
“Estamos na situação de ter que descrever um fenómeno de enormes implicações, e que vai ter enormes consequências. Temos que descrevê-lo ao mesmo tempo que está a acontecer, é como estar dentro de um furacão, a tentar descrever o furacão, isto torna o exercício um bocadinho difícil, mas também apaixonante”, disse o investigador português, membro do Comité Pontifício para as Ciências Históricas (Santa Sé), em declarações aos jornalistas, em Fátima.
Henrique Leitão apresentou ‘um olhar sereno sobre as promessas e os limites da Inteligência Artificial’, na manhã deste sábado, dia 17, na 19.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, da Igreja Católica em Portugal, intitulada ‘Para além do algoritmo’, na Domus Carmeli.
“A Igreja acompanha a história do homem, a história da humanidade, e ajuda a história da humanidade. A Igreja não tem, propriamente, que potenciar isto, isto é o que está a acontecer na história. E a Igreja acompanha, com o seu saber, com o seu discernimento, com a sua experiência milenar, com o seu entendimento sobre o que é o humano, e alertando e ajudando.”
O investigador explicou que o objetivo foi partilhar “algumas ideias básicas, ideias muito simples”, mas que permitissem às pessoas analisar o que se passa, “e tentar rapidamente adaptar-se a uma realidade que está a mudar a grande velocidade”.
“A primeira coisa que eu diria é que é preciso que as pessoas se familiarizem com estas novas tecnologias. Só familiarizarem-se para que se deem conta do manancial de novas possibilidades que agora se abriram, e só depois disso é que podem perceber o que pode mudar”, acrescentou o historiador, observando que nos mais novos isto está a acontecer naturalmente, mas “nas pessoas mais velhas, menos”, e tem que ser uma preocupação.
Henrique Leitão, investigador principal no Departamento de História e Filosofia das Ciências, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, observa que “como acontece com qualquer tecnologia”, o seu domínio “é mais uma possibilidade de uma fissão e de uma separação nas sociedades”, mas, à partida, não é uma coisa determinista, e “não vai necessariamente acontecer”.

“E, portanto, o que se deve é experimentá-lo, ver as incríveis possibilidades que se têm agora. Usá-lo em inúmeros contextos, para tarefas diferentes, para projetos diferentes. Ver as enormes possibilidades de novidade que se abriram, de aprendizagem, de melhoramento pessoal”, sublinhou.
Para Henrique Leitão, a inteligência artificial vai ser capaz de “reproduzir estas tarefas humanas, mesmo tarefas cognitivas”, e vão existir “grandes avanços nessa área”, mas se o que a máquina estará a fazer “é pensar mesmo como um ser humano”, considera que “não”.
“Estará ao serviço do que a gente fizer com ela, mas não há porque imaginar logo um quadro negativo ou mau. E pode ser, digamos, um enorme benefício para a humanidade, como todas as tecnologias. E, neste caso, particularmente, de uma maneira mais aguda, com atenção para os perigos, para as dificuldades, e para os problemas que transporta consigo.”

A 19.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, com o tema ‘Para além do algoritmo’, contou ainda no seu programa com as intervenções de Pilar Gordillo, a responsável pela Pastoral da Cultura da Arquidiocese de Toledo (Espanha), a maestrina Joana Carneiro, e uma intervenção artística de João Maria Carvalho.
LS/CB

