Família/Sociedade: Cofundadora da Associação Mirabilis destacou benefícios e riscos do digital, onde a «Igreja tem todo o interesse em fazer caminho»

Mariana Reis assinalou que grupos comunitários, paróquias, pastoral da família, podem ajudar a capacitar a sociedade

Torres Vedras, 17 jan 2026 (Ecclesia) – Mariana Reis, da Associação Mirabilis, disse hoje que a Igreja “tem todo o interesse” em fazer caminho no digital, utilizando-o também em seu benefício, à Agência ECCLESIA, no encontro ‘Esperança no Digital’, da Pastoral Familiar de Lisboa.

“A Igreja tem sempre um grande bónus quando está a par com o que se passa no mundo. E, de facto, esta é uma questão que está instalada em todas as famílias, está instalada na sociedade como um todo, e a Igreja faz parte desta sociedade”, disse a oradora, à margem do encontro diocesano, no Centro Diocesano de Espiritualidade, no Turcifal.

A Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa está a realizar o encontro intitulado ‘Esperança no Digital’, e, em declarações à Agência ECCLESIA, Mariana Reis salientou que há muito para fazer na reflexão sobre este tema, porque “está também a inibir as pessoas e os jovens para o seu eu interior”, para a sua avaliação, a sua autoconsciência e interioridade, e “há uma mancha da sociedade” que pode ser capacitada através dos grupos comunitários, das paróquias, da pastoral da família.

“E também esta via espiritual que todos nós temos, e que precisamos para uma saúde mental boa e saudável, esta espiritualidade está comprometida quando estamos permanentemente assolados pelos ecrãs. Eu diria que a Igreja tem todo o interesse em fazer caminho por aqui, também utilizando o digital em seu benefício”, salientou.

O bispo D. Alexandre Palma explicou que no Patriarcado de Lisboa querem “conhecer o que é este mundo digital”, onde são todos cidadãos e percebem também que há uma aceleração, uma transformação, “uma evolução do que é este próprio mundo”, que querem “acompanhar” e precisam de conhecimento e informação.

“Depois, evidentemente, a Igreja quer estar em todos os espaços e quer acompanhar todos aqueles que estão em todos os espaços, neste encontro uma atenção muito particular à vida das famílias, e como este mundo digital entra nas casas das nossas famílias e como são também elas habitantes deste mundo digital”, desenvolveu o bispo auxiliar de Lisboa à Agência ECCLESIA.

A oradora, cofundadora da ‘Mirabilis’, uma associação que “nasceu para capacitar as famílias de informação relevante sobre o impacto dos telemóveis, as redes sociais e a dependência da internet”, explicou que é preciso “prevenir” e uma forma é a informação e a capacitação dos próprios pais para perceberem que o digital “tem coisas boas”, mas há uma parte da tecnologia que “está a causar efeitos negativos no desenvolvimento”, nomeadamente de crianças e jovens.

Mariana Reis acrescentou que é essa parte que consideram urgente, “que chega ao maior número de pessoas, até através de leis, de legislação, medidas”, que possam ajudar a que a utilização precoce e excessiva “seja mais regulada”, e querem minorar esses efeitos nefastos “para não comprometer a saúde mental de uma geração futura”.

“Nós não somos contra a tecnologia, nós gostamos muito de tecnologia, aliás, sem a tecnologia não estávamos aqui hoje, com todas as informações, com todos os estudos, os dados que existem sobre esta temática, do conhecimento do cérebro, inclusive”, realçou.

A cofundadora da Mirabilis alertou também para o “impacto muito grande” que o digital tem na relação familiar, que começa “nas interações que a tecnologia tem na vida de casal, na vida dos pais com os filhos, na vida dos filhos com os avós”, oir isso, na associação consideram “urgente e muito necessário” capacitar as várias faixas etárias,  para que se gere um diálogo, “com base comum, com informação comum, e que leva a mudanças de comportamentos da família”.

“Demos conta que, de facto, isto estava mesmo a interferir nas famílias, nas relações familiares. É sabido também que quanto maior é o consumo digital, por exemplo, por crianças e jovens, maior é o afastamento da família, e nós achamos que isto é urgente para a saúde da família”, referiu Mariana Reis.

“Temos que aprender, fazer caminhos, aprender com os erros, inverter caminhos nalguns casos, percebendo que no trabalho de educação se joga muito do nosso futuro, como famílias, como sociedade e também com a Igreja”, acrescentou D. Alexandre Palma.

O bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa salientou que como Igreja querem trazer “o Evangelho para este discernimento e para esta forma de estar”.

“A Pastoral Familiar, aqui o que queremos estar é muito ao lado das famílias, apoiando-as em áreas em que elas se sentem dificuldades, onde estão curiosas pelos desafios e querem viver isto tudo à luz da fé; caminhando a seu lado. Isto é que é uma pastoral em família para as famílias” – D. Alexandre Palma

O encontro da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa, sobre a ‘Esperança no Digital’, está a decorrer até às 18h00 , deste sábado, dia 17 de janeiro, no Centro Diocesano de Espiritualidade, no Turcifal.

LS/CB

Lisboa: Pastoral Familiar realiza encontro «Esperança no Digital», para «perceberem onde é que estão os perigos, e as vantagens»

 

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