Papa lembrou que a diplomacia do Vaticano «nasce do Evangelho»

Cidade do Vaticano, 17 jan 2026 (Ecclesia) – Leão XIV destacou que os “diplomatas do Papa são chamados a ser pontes”, numa carta divulgada hoje para o 325.º aniversário da Academia Pontifícia Eclesiástica, onde assinala que a diplomacia do Vaticano “nasce do Evangelho”.
“A nossa diplomacia, de facto, nasce do Evangelho: não é tática, mas caridade pensante; não procura vencedores nem vencidos, não constrói barreiras, mas reconstrói laços autênticos”, escreve o Papa, na carta publicada, este sábado, dia 17 de janeiro, na sala de imprensa da Santa Sé.
Leão XIV explica que para construir essa comunhão, “cada palavra pronunciada precisa ser precedida pela escuta”, a escuta de Deus e a “escuta dos pequenos, daqueles cuja voz muitas vezes não é ouvida”.
“Os diplomatas do Papa são chamados a ser pontes: pontes invisíveis para sustentar, pontes firmes quando os acontecimentos parecem difíceis de conter e pontes de esperança quando o bem vacila”, realçou.
O Papa incentivou a imitarem Santo António Abade, que é o padroeiro da Academia Pontifícia Eclesiástica, lembrando que “soube transformar o silêncio do deserto num diálogo fecundo com Deus”, e pediu que sejam sacerdotes de “profunda espiritualidade”, para extrair da oração a força do encontro com os outros.
“E enquanto o olhar se abre para a missão que vos espera, confio cada um de vós a Maria, Mãe da Igreja, para que ela vele por vós e vos torne dóceis à vontade de Deus no serviço à Sé de Pedro”, acrescentou.
Leão XIV começou a sua carta para os 325 anos da fundação da Academia Pontifícia Eclesiástica, a dar “graças ao Senhor” pela longa e fecunda história desta “meritória instituição” que está ao serviço do “Sucessor de Pedro”, e espera que esta “ocasião auspiciosa” suscite nos alunos um renovado compromisso de perseverar no caminho formativo.
“O serviço diplomático não é uma profissão, mas uma vocação pastoral: é a arte evangélica do encontro, que busca caminhos de reconciliação onde os homens erguem muros e desconfianças.”
A mensagem recorda as reformas realizadas pelo Papa Francisco, a 25 de março de 2025, qualificou-a como “centro avançado de alta formação académica” e investigação em Ciências Diplomáticas, como instrumento direto da ação diplomática da Santa Sé, com o quirógrafo (documento pontifício) Il Ministero Petrino, antes, na Constituição Apostólica Praedicate Evangelium, confirmou a integração desta academia que forma diplomatas da Santa Sé na estrutura da Secretaria de Estado.
“Estas últimas reformas manifestam o objetivo de oferecer um currículo formativo que, com uma sólida base científica, seja capaz de integrar competências jurídicas, históricas, políticas, económicas e linguísticas e conjugá-las com as qualidades humanas e sacerdotais dos jovens presbíteros”, salientou Leão XIV, que agradeceu aos responsáveis e aos alunos da Pontifícia Academia Eclesiástica o “caminho de comunhão e renovação”.
O Papa lembra ainda, no 325.º aniversário da Academia Pontifícia Eclesiástica, que esta “missão tão meritória” começou em 1701, por vontade do Papa Clemente XI.
“Muitos dos meus predecessores preservaram e cujo crescimento orientaram, acompanhando os seus desenvolvimentos à luz das necessidades que a Igreja e a diplomacia manifestaram ao longo dos século”, realçou Leão XIV, na carta com data de 21 de novembro de 2025, publicada na sala de imprensa da Santa Sé.
O secretário de Estado do Vaticano e grão-chanceler da Academia Pontifícia Eclesiástica, cardeal Pietro Parolin, destacou a ‘Paz e justiça na ação diplomática da Santa Sé diante dos novos desafios’, numa Lectio Magistralis para os 325 anos da academia, na Sala Ducal do Palácio Apostólico.
CB
