Primeiro texto é dedicado à artista Teresa Pavão, por Paulo Pires do Vale
Lisboa, 14 jan 2026 (Ecclesia) – A ‘Brotéria’, revista da Companhia de Jesus (Jesuítas) em Portugal, começou 2026 com uma nova rubrica, intitulada ‘À Segunda Vista’, um espaço dedicado a um acompanhamento mais profundo de talentos e obras, à escolha do autor convidado.
“A Brotéria escolhe o autor do texto – um crítico, um académico, um artista reconhecido pela acuidade do seu olhar – e tem carta-branca para, entre os criadores das últimas décadas, escolher como objeto de comentário quem entender”, explica Simão Lucas Pires, sobre a nova rubrica ‘À Segunda Vista’, na ‘Brotéria’ de janeiro, enviada à Agência ECCLESIA.
No editorial, intitulado ‘Olhar com olhos de ver a cultural contemporânea’, Simão Lucas Pires assinala que o autor convidado escreve sobre um artista ou intelectual cuja obra mereça atenção e que seja relativamente desconhecido do “grande público” com o objetivo principal de apresentar leituras de trabalhos artísticos “merecedores de um acompanhamento mais amplo do que a ocasional nota de rodapé ou a raquítica sinopse descritiva”.
O primeiro ‘À Segunda Vista’ é dedicado a Teresa Pavão, o autor da rubrica, Paulo Pires do Vale, começa por recordar uma série de obras que a artista mostrou, com “pedaços de mármore deixados no atelier do escultor João Cutileiro” e que integrou em peças novas em cerâmica branca, no Museu Nacional de Arte Antiga, em 2023.
‘O que fazer quando tudo parte? A propósito das obras de Teresa Pavão’, é o título do texto onde Paulo Pires do Vale destaca que o exercício de atenção e de cuidado, o olhar atento e as “mãos inteligentes e perscrutadoras” da artista profetizaram “uma nova vida para o abandonado”.
Na revista ‘Brotéria’, de janeiro de 2026, o investigador Pedro Franco (de pós-doutoramento em Desenvolvimento Humano Integral) questiona qual o tipo de debate público que se quer a partir do assassinato do ativista norte-americano Charlie Kirk [1993-2025], e propõe a universidade como um lugar de “amizade cívica” e diálogo socrático contra a anomia e o isolamento digital, enquanto a jornalista Teresa de Sousa escreve sobre ‘a Europa sozinha’, numa análise à nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, divulgada no dia 5 de dezembro de 2025.
O professor catedrático jubilado Joaquim Azevedo explica que se a escola inclusiva é uma realidade já concretizada em Portugal, é também uma meta longe de estar alcançada, no artigo ‘A escola inclusiva exclui: um oxímoro sem solução’, onde destaca o projeto socioeducativo ‘Arco Maior’, no Grande Porto, enquanto o professor universitário Alfredo Teixeira reflete sobre a socialização religiosa e a resiliência da família como espaço de continuidade simbólica, em ‘transmissão e socialização – A identidade crente em construção’.
A ‘Brotéria’ informa que o professor universitário Alfredo Teixeira reflete sobre a socialização religiosa e a resiliência da família como espaço de continuidade simbólica, em ‘transmissão e socialização – A identidade crente em construção’; o antropólogo explica que compreender esta resiliência é crucial para as Igrejas, que enfrentam o desafio de dialogar com famílias plurais, num ambiente social complexo.

‘Cultura: entre a intuição e a razão. Conversa com Pedro Adão e Silva’, é uma entrevista de Paulo Cunha Matos ao antigo ministro da Cultura português que reflete sobre a sua formação, os hábitos culturais e identifica a desigualdade no acesso à cultura como um problema agudo em Portugal, e lamenta o desaparecimento do crítico profissional, e recusa a separação entre “alta” e “baixa” cultura.
Na revista de cristianismo e cultura dos Jesuítas em Portugal encontram-se também rubricas de cinema, exposições e recensões; a ‘Brotéria’ é editada desde 1902, iniciou a sua publicação em formato digital, em 2020, e dá nome também a um centro cultural, no ‘Bairro Alto’, em Lisboa.
CB/PR

