Liberdade Religiosa: «Centenas» de cristãos presos no Paquistão, por causa da Lei da Blasfémia

«Portugal será o primeiro país da Europa a implementar uma resolução a favor dos Cristãos do Paquistão», disse Amir Sahotra, antigo deputado provincial do Punjab

Foto Ansa

Lisboa, 14 jan 2026 (Ecclesia) – Joel Amir Sahotra, dirigente cristão paquistanês, alerta que a perseguição aos cristãos “está a piorar” nesse país, e, em visita recente a Portugal, pediu a Fundação pontifícia AIS e à Assembleia da República “que sejam a voz” deles.

“Se alguém for acusado de ter cometido uma blasfémia, por exemplo, tem de haver um julgamento justo, tem de haver uma investigação justa. Se essa pessoa realmente cometeu uma blasfémia, então temos de seguir a lei do país, mas a maioria dos casos, eu defendi mais de 99 pessoas, acredito verdadeiramente que são falsos e é tudo baseado em vingança pessoal”, disse Joel Amir Sahotra, em declarações ao secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), enviadas hoje à Agência ECCLESIA.

O antigo deputado do Parlamento provincial do Punjab explicou que a Constituição do Paquistão garante a liberdade religiosa para todos os cidadãos, mas os cristãos estão “privados dos direitos constitucionais”.

“Nós não temos o direito de eleger o nosso representante na Assembleia Nacional e na Assembleia Provincial. Então, onde é que vamos para fazermos ouvir a nossa voz? Quando as pessoas tiverem conhecimento, através da Fundação AIS, do que está a acontecer no Paquistão, a nossa voz será ouvida na Europa e nos EUA”, acrescentou o político paquistanês.

Joel Amir Sahotra destacou dois casos na cidade de Gujranwala, na província de Panjabe, e são “evidentes para entender o que está a acontecer à comunidade”: “há semanas um pastor cristão foi morto só por causa da sua crença religiosa”, e “uma menina cristã de 6 anos foi violada por um homem muçulmano de 19 anos”.

“Nós somos a comunidade mais perseguida do mundo, mas quando as pessoas veem, quando o mundo vê, quando sabem o que está a acontecer, então isso vai ser muito útil para nós; Aquilo que queremos é que sejam a nossa voz. Nada mais.”

Segundo o ativista dos direitos humanos muitos cristãos estão presos injustamente no Paquistão por causa da forma como a Lei da Blasfémia está a ser seguida neste país asiático, e “a situação está a piorar”: “são às centenas, às centenas; e há muitos casos que se desconhecem”.

O antigo deputado do Parlamento provincial do Punjab reuniu com alguns partidos políticos com assento na Assembleia da República Portuguesa – CDS-PP, Partido Socialista e Chega – que se mostraram “muito preocupados”, e disponíveis para “fazer ouvir a voz da comunidade mais perseguida e desfavorecida do Paquistão”.

“Todos os partidos políticos prometeram-nos que irão reivindicar algumas resoluções em favor dos cristãos no Paquistão. Infelizmente não temos uma voz forte nos fóruns internacionais; Portugal será o primeiro país da Europa a implementar uma resolução a favor dos Cristãos do Paquistão”, revelou.

Joel Amir Sahotra esteve também em Portugal “à procura de oportunidades de bolsas de estudo para os estudantes cristãos do Paquistão” em estabelecimentos de ensino superior.

“E, graças a Deus, estamos com muita sorte porque a Universidade Católica Portuguesa demonstrou muita simpatia, preocupação e generosidade. A Universidade ofereceu quatro bolsas de estudo aos nossos estudantes cristãos do Paquistão, e eles estão no Porto este ano. Isso é um bom sinal de esperança para a nossa juventude cristã do Paquistão”, desenvolveu o político paquistanês, em declarações à Ajuda à Igreja que Sofre.

A Fundação pontifícia AIS recorda que no Paquistão “as leis da blasfémia foram violadas, levando a centenas de detenções e a vários linchamentos”, segundo o seu Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, publicado no dia 21 de outubro de 2025, onde este país está classificado na categoria a mais severa, a de “perseguição”, e, de janeiro de 2023 a dezembro de 2024, registaram-se “conversões e casamentos forçados de raparigas cristãs e hindus”.

CB/OC

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