«O mundo humano é infinitamente maior que um algoritmo», afirmou D. Nuno Brás, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais

Lisboa, 13 jan 2026 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais lembrou que o mundo é “infinitamente maior que um algoritmo” e apontou para a necessidade de analisar o “impacto cultural” da inteligência artificial (IA).
Para D. Nuno Brás, é necessário considerar a IA como “uma realidade” da sociedade atual, sendo oportuno que cada pessoa a use e possa “viver com ela”, promovendo também dessa forma o impacto do cristianismo na cultura, assim como a reflexão em torno desta problemática, como vai acontecer na Jornada Nacional da Pastoral da Cultura.
“Trata-se, nesta jornada, de avaliar qual é o impacto cultural da inteligência artificial no nosso mundo, já, efetuar alguma previsão daquilo que ela poderá ter nos tempos que aí vêm, mas, sobretudo, de poder olhá-la como uma realidade que requer a presença cristã e uma realidade que requer também o anúncio do Evangelho”, disse D. Nuno Brás à Agência ECCLESIA.
O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Socais, promove neste sábado, dia 17 de janeiro, a 19ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, que tem por tema «Para além do algoritmo».
Com início marcado para as 10h00 do dia 17 de janeiro, hora em que decorre a saudação inicial do presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, a jornada vai decorrer na Domus Carmeli, em Fátima, e termina pelas 17h00, após uma intervenção da diretora do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, Isabel Alçada Cardoso.
A 19ª Jornada da Pastoral da Cultura vai contar com as comunicações do cientista Henrique Leitão, sobre o tema “Um olhar sereno sobre as promessas e os limites da Inteligência Artificial”, Pilar Gordillo, delegada diocesana de Fé e Cultura da Arquidiocese de Toledo (Espanha), sobre “A beleza da fé: um novo diálogo através de exposições de arte sacra contemporânea”, e Joana Carneiro, maestrina, sobre “Direção musical para além do algoritmo”.
O programa da jornada prevê ainda a ‘performance’ “Primeiras investigações sobre a loquela”, por João Maria Carvalho
Para D. Nuno Brás a “realidade digital é de facto um mundo novo” e está a criar na atualidade “qualquer coisa semelhante ao tempo das descobertas, quando os portugueses descobriram novos mundos, deram novos mundos ao mundo, ou ao tempo da revolução industrial, quando um novo mundo apareceu”.
“O mundo digital está a criar uma nova cultura, um novo modo de ser, um novo modo de viver que nos permite estar relacionados com todos ainda mais do que aquilo que já estávamos”, referiu o presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.
O também bispo do Funchal lembrou que, nesta nova cultura, “Deus precisa de ser anunciado também como Salvador do homem e do mundo”.
Na referência ao tema da Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, D. Nuno Brás disse que “o ser humano jamais se poderá reduzir ao algoritmo”, reservando-lhe a capacidade de “criar à semelhança de Deus”.
“Mesmo que o algoritmo seja capaz – e muitas vezes é – de nos propor realidades que nós não estávamos à espera e que seja capaz de criar soluções para problemas que à partida nos pareciam insolúveis, de facto o ser humano é sempre maior. Aquilo que consegue fazer é fruto da velocidade e da capacidade de combinar dados. O ser humano esse sim é capaz de criar à semelhança de Deus”, afirmou.
A Jornada Nacional da Pastoral da Cultura pretende “refletir sobre o papel da Inteligência Artificial (IA) ao serviço da pessoa humana e da sociedade”, refere a apresentação da iniciativa.
Para participar na Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, que é dirigida a “todas as pessoas interessadas”, é necessário fazer a inscrição no formulário que é disponibilizado na página da internet do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.
PR
