D. Paolo Martinelli relata situação de «caos» num país onde 19 milhões precisam de ajuda e a pequena comunidade católica resiste entre ruínas

Abu Dhabi, 12 jan 2026 (Ecclesia) – O vigário apostólico da Arábia do Sul alertou para a nova escalada de violência no Iémen, agradecendo ao Papa Leão XIV por ter quebrado o silêncio sobre uma das guerras “mais esquecidas do mundo”, na sua mensagem de Natal.
“Com as suas palavras, [o Papa] parece ter chamado a atenção de um mundo muitas vezes distraído da realidade daqueles que vivem na indigência e são esquecidos. Deus, porém, não se esquece”, afirmou D. Paolo Martinelli, em declarações ao portal ‘Vatican News’.
O responsável católico, que tem sob a sua jurisdição os Emirados Árabes Unidos, Omã e Iémen, destacou que, nos encontros pessoais com Leão XIV, o pontífice se mostrou sempre “muito atento à realidade do Iémen”.
O alerta do vigário apostólico surge numa semana marcada pelo agravamento do conflito, com novas divisões políticas entre o Conselho de Transição do Sul (separatistas) e o governo reconhecido internacionalmente, apoiado pela Arábia Saudita.
A instabilidade provocou novos ataques aéreos na província de Ad Dali, com registo de pelo menos 20 mortos, e a imposição de recolher obrigatório em Aden.
D. Paolo Martinelli recorda que, após 14 anos de guerra, “mais de 19 milhões de iemenitas, metade da população”, necessitam urgentemente de assistência humanitária.
“Uma em cada duas crianças com menos de cinco anos sofre de desnutrição aguda grave e mais de 4,5 milhões de pessoas foram deslocadas”, denuncia.
Sobre a presença católica no país, o vigário apostólico descreve uma comunidade “numericamente muito reduzida”, composta por migrantes que ainda não fugiram e por “cristãos nativos”.
“Gostaria de recordar que, em 2016, quatro freiras das Missionárias da Caridade de Madre Teresa de Calcutá foram assassinadas por um grupo extremista. Além disso, todas as nossas quatro igrejas foram gravemente danificadas e hoje estão inutilizáveis”, lamentou.
O Iémen está devastado por uma guerra civil desde que rebeldes xiitas hutis, apoiados pelo Irão, tomaram em 2014 a capital Sanaa e, em seguida, grandes partes do país.
OC
