Sinodalidade: Passos dados, obstáctulos encontrados e a certeza de que «o caminho é este»

Participantes no II Encontro Sinodal Nacional rejeitam o conforto e o medo da mudança e apelam à mobilização de todos

Fátima, 10 jan 2026 (Ecclesia) – Os participantes no II Encontro Sinodal Nacional apontam a necessidade de abandonar o conforto, mobilizar os leigos, respeitar cada opinião e rejeitar o medo da mudança para implementar a sinodalidade, na certeza de que “o caminho é este”.

Foto Agência ECCLESIA/PR, Cláudia Vieira / Diocese do Algarve

Cláudia Vieira, da Equipa Sinodal da Diocese do Algarve, afirma em declarações à Agência ECCLESIA que “mobilizar as pessoas nem sempre é fácil” e refere que, por vezes, “o maior obstáculo é desmontar uma estrutura que já estava feita” e “criar uma nova estrutura”.

Para ultrapassar as dificuldades, Cláudia Vieira afirmou que “tem de haver uma abertura, uma escuta de parte a parte”, tanto pelos sacerdotes e bispos como por parte dos leigos.

A participação na Equipa Sinodal da Diocese do Algarve aponta para a certeza de que o caminho sinodal “implica abertura”, “quer do coração, quer da mente”, sublinhando que tem de haver “respeito” e “cuidado” para “acolher no coração aquilo que é o sentido uns dos outros”.

“Cada um na sua missão, cada um não ultrapassando, não invadindo a missão dos outros, mas todos juntos caminhando nesse sentido”, apontou.

Foto Agência ECCLESIA/PR, Clara Palma / Diocese de Beja

Clara Palma, da Equipa Sinodal da Diocese de Beja, disse que a sinodalidade “já vai sendo uma prática” e aponta o “medo de mudança” como impedimento para que não se implemente de forma mais consistente.

Ao clero e aos leigos, Clara Palma apela a não ter medo e a abandonar a atitude de “conforto”, invocando a capacidade de “dialogar com outros”, “escutar outros”.

“A participação de todos é muito mais Igreja, Povo de Deus”, sublinhou.

Vanessa Reis, da Equipa Sinodal da Diocese das Forças Armadas e Forças de Segurança, afirmou que a sinodalidade é “uma prática” que acontece no Ordinariato Castrense, testemunhando “a proximidade dos capelães” junto  dos militares e dos policiais”.

Foto Agência ECCLESIA/PR, Vanessa Reis / Diocese das Forças Armadas

Para Vanessa Reis, “o maior obstáculo” para implementar a sinodalidade reside na dispersão territorial do Ordinariato Castrense, que está em todas as dioceses, lembrando que por causa das “diversas unidades espalhadas” por Portugal, continental e ilhas, e as “constantes transferências de militares”, “torna-se difícil um trabalho contínuo”.

Enquanto militar, Vanessa Reis apela à continuidade do “excelente trabalho” que os capelães militares estão a fazer na Diocese das Forças Armadas e Forças de Segurança, garantindo “todo o apoio e conhecimento no âmbito militar” por parte dos leigos que fazem a assessoria no Ordinariato Castrense.

Foto Agência ECCLESIA/PR, Ricardo Oliveira / Diocese de Viana do Castelo

Ricardo Oliveira, que faz parte do Conselho Pastoral Diocesano de Viana do Castelo, testemunha o caminho já percorrido, que conseguiu “quebrar barreiras, tradicionalismos, métodos de pensar muito obsoletos”, e a capacidade de “construir uma nova realidade”, também no âmbito da preparação do jubileu da criação da diocese, há 50 anos, que vai ser assinalado em 2027.

“Ao estarmos a preparar o nosso jubileu, acabámos por congregar e agregar forças, trabalhos, projetos… O foco é conseguirmos programar o Ano Pastoral em conjunto e decisões em conjunto”, afirmou.

Ricardo Oliveira refere a existência de “uma resistência muito grandes de tradicionalismos” na região, apontando também para a necessidade de compreender de forma acertada a sinodalidade e apelando ao compromisso dos leigos não só de pontualmente.

Foto Agência ECCLESIA/PR, Padre Sérgio Torres / Arquidiocese de Braga

O padre Sérgio Torres considera que a metodologia sinodal “vai entrando” no que acontece na Arquidiocese de Braga e sublinha que “o caminho é este”, admitindo que tem por obstáculo o “desconhecimento” do que está em causa, pensando que “tudo vem tirar o tapete a uma determinada forma de ser, de liderar”.

O sacerdote da Arquidiocese de Braga valoriza o “exercício de escutar as pessoas, de as ouvir” e de perceber que “há muito mais” para além do que ocupa o quotidiano sacerdotal, referindo que “em nada” sente “beliscada” a autoridade, o “poder de tomar decisões”.

O diretor do Secretariado Diocesano de Pastoral de Braga admite que “não é fácil” para alguns sacerdotes, “pelo seu estilo” e pelo trabalho “sempre da mesma forma”.

“As coisas também não mudam assim. Nem nós mudamos em muitas coisas, na nossa vida, de repente. Acho que é essencialmente a questão de um caminho a fazer… Para nós será mais importante termos consciência de que é este o caminho e porque este é caminho, não vamos desistir. O resto vai-se construindo”, apontou.

O II Encontro Sinodal Nacional decorreu em Fátima, durante este sábado, e reuniu cerca de 160 participantes das dioceses de Portugal e de organismos da Igreja Católica em Portugal, em torno do tema “Da escuta à missão: Espiritualidade sinodal e implicações pastorais”.

PR

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