160 participantes em encontro nacional deixaram propostas pastorais concretizar o caminho sinodal

Fátima 10 jan 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal Portuguesa promoveu hoje o II Encontro Sinodal Nacional para identificar propostas pastorais de concretização do caminho sinodal, sublinhando que o mais importante é identificar “que tipo de serviço” cada um é chamado a concretizar.
“Somos também chamados a uma conversão do olhar e da linguagem: a deixar para trás as categorias mundanas que nos levam a perguntar ‘quem manda na Igreja’, para entrarmos no espaço mais exigente e libertador da pergunta verdadeiramente evangélica: que tipo de serviço é pedido a cada um na Igreja, segundo o dom que recebeu”, indica o documento conclusivo preliminar.
Trata-se de passar do desejo de poder à disponibilidade para o dom, da lógica da ocupação de lugares à alegria da entrega”.
Organizado pela Equipa Sinodal da CEP, o II Encontro Sinodal Nacional identificou propostas apresentadas pelos 160 participantes, após o debate em 20 grupos sinodais, seguindo o método da conversação no Espírito, em torno da questão: “Que Igreja somos chamados a ser a partir da conversão no Espírito?”.
A prioridade da escuta, traduzida em “práticas pastorais consistentes, com espaços e tempos próprios de escuta espiritual, humana e comunitária, no quotidiano das paróquias, dioceses e locais de vida e trabalho” foi a proposta comum aos trabalhos dos vários grupos.
Do II Encontro Sinodal Nacional resultou também a determinação de promover “uma Igreja de acolhimento e misericórdia”, de “portas abertas, que não coloca obstáculos nem condições prévias a quem procura Jesus” e uma Igreja “corresponsável e participativa”, onde todos os batizados “são chamados a participar nos processos de discernimento, decisão e ação pastoral”.
“Uma Igreja centrada em Cristo, orante e missionária: que prioriza o ser antes do fazer, que se renova, continuamente, através da formação, a partir do Evangelho” foi outra proposta apresentada, indo “ao encontro das situações de sofrimento, injustiça e exclusão, assumindo uma presença profética na sociedade”.
O II Encontro Sinodal Nacional apontou a necessidade de uma pastoral que “comunica e caminha em rede”, com “especial atenção ao protagonismo dos jovens como agentes ativos do anúncio do Evangelho”.
Durante o encontro, os representantes de todas as dioceses apresentaram os “passos já dados” na implementação do Documento Final do Sínodo, nomeadamente a “valorização dos Conselhos Pastorais como espaços de corresponsabilidade e discernimento”, os “processos de reorganização pastoral e criação de unidades ou redes sinodais”, o “investimento na formação do clero e dos leigos”, um “maior envolvimento dos fiéis leigos e dos ministérios laicais” e as “práticas de escuta alargada para o discernimento pastoral”, seguindo nomeadamente o método sinodal da conversação no Espírito.
Entre as dificuldades persistentes encontradas, as dioceses identificam “resistências clericais, fragilidade da decisão partilhada, défices formativos, cansaço pastoral, limitações estruturais e ritmos diferenciados das comunidades”.
Os representantes das dioceses também “sinais de esperança”, nomeadamente o “crescimento da corresponsabilidade, entusiasmo em comunidades que já experimentam práticas sinodais, compromisso dos bispos, surgimento de novos ministérios laicais, renovação pastoral e aproximação de pessoas anteriormente afastadas”.
“As partilhas revelam uma transição cultural em curso, lenta, mas real, onde a sinodalidade se afirma como caminho, método e horizonte, abrindo espaços de comunhão, participação e missão”, indica o documento conclusivo do II Encontro Sinodal Nacional.
PR












