Situação complicada para os missionários raptados

Líderes que os mantêm como reféns exigem a presença da imprensa e um encontro com presidente Lula da Silva O Pe. António Fernandes, Superior dos Missionários da Consolata em Roraima, explicou que o falhanço nas negociações para a libertação dos três religiosos feitos reféns em Contão, (aldeia a cerca de 200 Km de Boa Vista, Capital do estado de Rondónia), ficou a dever-se às novas exigências dos raptores que implicavam a presença da imprensa e um encontro com o Presidente Lula da Silva. Os missionários, Pe. Ronildo França (Colombiano), Pe. César Avellaneda (brasileiro) e Ir. João Carlos Martinez (espanhol) foram sequestrados por grupos locais que se opõem à homologação da lei que estabelece o território de Raposa-Serra do Sol – uma área de 1.651.300 hectares e habitada por cerca de 15 mil índios Macuxi, Wapixana, Ingarikó, Patamona e Taurepang – como reserva indígena. A Polícia Federal fará uma nova tentativa de resgate na tarde de hoje, adiantou ainda o Pe. António Fernandes. O actual projecto de homologação do governo brasileiro prevê a remoção da população dos não-índios da região, um contingente de cerca de 800 pessoas, e a desapropriação de algumas fazendas produtoras de arroz. Centenas de fazendeiros brancos e alguns indígenas estão a bloquear as estradas que ligam o estado amazónico de Roraima à Venezuela e à Guiana para protestar contra a criação desta gigantesca reserva. Ontem pela manhã, um grupo com cerca de 20 indígenas tentou invadir a catedral de Boa Vista, mas não teve êxito. Segundo o pároco local, Pe. Edson Damian, os índios entraram na igreja e ameaçaram-no. “Eles disseram que voltariam, com mais gente, e invadiriam a igreja”, declarou. Para saber mais • Três missionários feitos reféns no Brasil • Sequestro de missionários em Roraima • Lula da Silva abandonou os índios de Roraima

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