Padre José Pinheiro alertou que «recursos têm de estar adequados às necessidades das populações», falando no estado da saúde no país

Fátima, 10 jan 2026 (Ecclesia) – O diretor nacional da Pastoral da Saúde, da Igreja Católica em Portugal, desafiou os governantes e políticos a “colocar a dignidade da pessoa humana no centro de todas as prioridades”.
“Nas decisões políticas que não haja outros interesses que não seja o cuidar da pessoa, principalmente no momento de maior fragilidade e que os serviços possam crescer em humanidade”, afirmou o padre José Pinheiro, em declarações à Agência ECCLESIA, no âmbito do encontro nacional das comissões diocesanas da Pastoral da Saúde, que decorreu esta sexta-feira, em Fátima.
De acordo com o responsável, a humanização dos cuidados deve ser tida como “critério primeiro” e “é sempre o desafio diário a qualquer resposta na saúde” e, em tempos “tão difíceis”, este torna-se “maior” diante de quem toma decisões e de quem governa.
Questionado sobre a fragilidade do Sistema Nacional de Saúde, o sacerdote mostrou a disponibilidade do departamento que coordena em fazer ponte com as comunidades e as Unidades Locais de Saúde.
“Há aqui um trabalho importante que a comunidade e a paróquia também podem desempenhar no divulgar daquilo que são as políticas do governo na área da saúde. Agora, é importante também que os governantes tenham a noção de que os recursos têm de estar adequados às necessidades das populações”, salientou.
O encontro nacional das comissões diocesanas da Pastoral da Saúde realiza-se menos de três meses depois de o padre José Pinheiro ter assumido a direção nacional e contou com a participação das 16 dioceses.
A iniciativa teve como objetivo de conhecer as pessoas envolvidas neste setor, nas diferentes dioceses e na equipa nacional, conhecer a realidade de cada diocese e partilhar o trabalho já realizado, bem como sugerir iniciativas a nível nacional.
“Cada diocese apresenta questões próprias, mas acho que há quase como um grito, que é comum a todas, que é reestruturar aquilo que é a comissão em cada diocese. Por isso há aqui um grito de ajuda, um grito de esperança para que se possa reorganizar em cada diocese a Pastoral da Saúde”, reconheceu.
O padre José Pinheiro apontou a necessidade da reformulação das equipas diocesanas, que o manifestaram na reunião, indicando que muitas delas foram “muito afetadas pela pandemia”, tendo perdido “um bocadinho o ritmo”.
Depois da escuta ter dominado a primeira parte do encontro, os participantes dedicaram-se depois a desenhar a Pastoral nacional, elegendo as prioridades para esta área.
“Esta Comissão Nacional apresenta a sua disponibilidade a fazer caminho com todos, mas também fazer um caminho particular com cada comissão diocesana. É esse o compromisso, é estarmos disponíveis para ir ao encontro da realidade de cada diocese no país”, reforçou o responsável.
O padre José Pinheiro apontou que, dados os contributos apresentados no encontro, o trabalho do organismo vai ter que ter em atenção as capelanias hospitalares, os cuidados paliativos e a formação dos seminaristas no ano pastoral.
Relativamente aos elementos que vão compor a equipa nacional da Pastoral da Saúde, o responsável admitiu que esperava a realização deste encontro para perceber quais as prioridades que vão marcar a ação deste setor para depois escolher os nomes para dar resposta aos desafios.
No entanto, o sacerdote referiu que já convidou Helena Presas, que fez todo o seu caminho como cristã na paróquia do Campo Grande e que foi antiga colaboradora do padre Vítor Feytor Pinto, antigo coordenador nacional da Pastoral da Saúde.
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