Mais de 33 milhões de pessoas precisam de assistência e a fome foi declarada duas vezes num ano, alerta a confederação católica

Cidade do Vaticano, 09 jan 2026 (Ecclesia) – A ‘Caritas Internationalis’ assinalou hoje os mil dias de guerra no Sudão, alertando que dois terços da população precisam de ajuda urgente, numa das crises humanitárias “mais graves do mundo”.
A organização católica, juntamente com outras agências humanitárias, exorta a comunidade internacional a agir para evitar mais catástrofes, num país onde “mais de 33,7 milhões de pessoas precisam urgentemente de assistência” e onde a fome foi declarada duas vezes em menos de um ano.
“A brutalidade e a desumanidade do conflito no Sudão são chocantes. À medida que o Sudão chega aos mil dias de guerra, a comunidade internacional deve agir com urgência para pôr fim à violência”, afirmou Alistair Dutton, secretário-geral da confederação internacional da Cáritas.
A nota enviada à Agência ECCLESIA denuncia os “cortes drásticos na ajuda externa”, que enfraqueceram as operações de salvamento.
A organização exemplifica com o fim de um projeto no estado do Nilo Branco, que fornecia água e higiene a 500 mil pessoas, encerrado “devido aos cortes na ajuda” do ACNUR.
O conflito provocou o colapso dos serviços essenciais, com “cerca de 70 a 80% dos hospitais” fora de funcionamento, deixando 65% da população sem cuidados de saúde.
O Sudão enfrenta também a “maior crise alimentar do mundo”, com 21,2 milhões de pessoas em situação de insegurança aguda.
A Caritas alerta ainda para o aumento da violência contra as mulheres, cuja procura por serviços de apoio subiu “288% desde dezembro de 2023”.
Apesar disso, as iniciativas lideradas por mulheres receberam “menos de 2% do Fundo Humanitário do Sudão”.
“Os governos doadores que cortaram os seus orçamentos de ajuda devem perceber a crueldade disso no Sudão e reconsiderar como podem mobilizar mais apoio”, apelou Alistair Dutton.
Apoiando a campanha #KeepEyesOnSudan, a Caritas apresenta um conjunto de recomendações, pedindo a intensificação dos esforços diplomáticos no Conselho de Segurança da ONU para um “cessar-fogo imediato”.
A organização católica exige também a garantia de “acesso humanitário rápido, seguro e sustentado” e o aumento imediato do financiamento para grupos locais, elogiando os próprios sudaneses que realizam o “árduo trabalho de apoiar os seus vizinhos” no meio do deslocamento constante.
OC
