Publicações mais recentes referem-se a dois profetas do Antigo Testamento
Lisboa, 02 jan 2026 (Ecclesia) – A comissão coordenadora da tradução da Bíblia, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), lançou hoje a nova versão dos Livros de Naum e Malaquias, dois profetas do Antigo Testamento.
“Descrevendo a queda do império assírio, Naum canta também a vitória de Javé, o Deus que governa o mundo e a história. Ele obrigará os maus e injustos a prestar-lhe contas das suas políticas arbitrárias e imperialistas”, indica a Comissão numa nota enviada hoje à Agência ECCLESIA.
Desconhecendo “dados pessoais sobre o profeta Naum”, a sua datação “mais segura” parece situar-se “em 612 a.C. (2,1)”, na “época da queda de Nínive, a capital assíria”.
“A atividade profética de Naum situar-se-ia entre a destruição de No-Amon (Tebas, no Egito), em 667 a.C. (3,8), e a queda de Nínive”, indica a Comissão.
Assumindo uma “estrutura bipartida”, o Livro de Naum dá conta de um “Hino ao Senhor vitorioso (1,2-2,3)”, numa “espécie de salmo que proclama a ira do Senhor e anuncia a destruição da Assíria e a salvação de Judá”.
O livro apresenta ainda “imprecações contra o opressor (2,4-3,19)”, indicando “cinco imprecações” como constituintes da “parte principal do livro, anunciada desde o título (1,1: «Proclamação contra Nínive»)”.
“Ali se apresenta o anúncio da derrota de Nínive com traços de sarcasmo e ironia, para finalizar com o lamento fúnebre sobre a cidade derrotada”, apresenta.
O segundo livro apresentado hoje, o Livro de Malaquias, pode dividir-se em duas partes principais com um prólogo e um epílogo.
O seu nome significa “o mensageiro” e “orienta-se a corrigir uma série de desvios que parecem situar-se no período após o regresso do exílio da Babilónia”.
“A redação de Malaquias deve situar-se por volta da última metade do século V a.C., numa altura em que a comunidade regressada do exílio vive sob o signo do desânimo e do desinteresse”, nota a comissão.
“O tema principal parece ser a preocupação com um verdadeiro culto, a necessidade de um relacionamento genuíno com Deus. Daí a denúncia dos desvios praticados pelos sacerdotes e pelo povo, a insistência nos procedimentos corretos quanto às oferendas sagradas, a expectativa do dia do Senhor, que vem justamente para purificar e iluminar”, acrescenta.
A tradução provisória destes e de outros textos bíblicos está disponível para download no site da Conferência Episcopal Portuguesa, podendo sugestões e comentários ser enviados através do endereço eletrónico [email protected].
A Comissão Coordenadora da Tradução da Bíblia da CEP “convida a comunidade a envolver-se no processo de tradução e revisão deste documento e dispõe-se a acolher o contributo dos leitores, em ordem ao melhoramento da compreensibilidade do texto”.
Em março de 2019, a Conferência Episcopal Portuguesa apresentou o primeiro volume da nova tradução da Bíblia em português feita por 34 investigadores a partir das línguas originais, com a publicação da edição de ‘Os Quatro Evangelhos e os Salmos’.
Desde agosto de 2021, um novo livro da Bíblia é disponibilizado mensalmente em formato digital e divulgado pela Agência ECCLESIA.
OC/LS
