D. Francisco Senra Coelho escreveu mensagem para o Ano Novo, na qual refletiu sobre a utilização das armas na guerra

Évora, 01 jan 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Évora lamentou hoje, na mensagem de Ano Novo 2026, a incapacidade que o mundo tem em instituir a paz e distanciar-se da guerra, apesar dos avanços científicos alcançados pela humanidade.
“É impressionante, como num contexto em que o planeta atinge expoentes científicos a todos os níveis, continue a debater-se com uma cruel incapacidade de construir a paz e evitar de vez, a guerra”, afirmou D. Francisco Senra Coelho, no texto enviado à Agência ECCLESIA, no Dia Mundial da Paz.
Lembrando as mensagens dos diversos Papas a propósito desta data, D. Francisco Senra Coelho alertou para o “negócio bélico” que “não ajuda à edificação da paz”.
“Mas afinal para que servem as armas? Só para dissuadir? E como se desenvolve o comércio bélico sem guerras? Será que o primeiro objetivo das armas saber-se que existem e serem periodicamente patenteadas e mostradas em épicos desfiles militares e exposições mediáticas?”, questionou.
Na mensagem para o 59º Dia Mundial da Paz, com o tema “Rumo a uma paz desarmada e desarmante”, o Papa Leão XIV rejeita a instrumentalização da religião para justificar a guerra, denuncia o aumento das despesas militares e alerta para o perigo da inteligência artificial na guerra e pede reforço das instituições internacionais e da diplomacia.
Reconhecendo a complexidade do tema e enquanto cristão e Pastor da Igreja, D. Francisco Senra Coelho une-se ao Papa: “Sei que a Paz é Dom de Deus, nasce no coração, e que a confiança no desarmamento é ‘desarmante’, pois a cultura da Paz promove-se e educa-se sobretudo através de gestos de Paz”.
O arcebispo agradece a Leão XIV pela coragem de remar por este tema, ainda que num contexto internacional de ‘contra corrente’, e lembrou Bento XV, referindo que, face à Primeira Guerra Mundial 1914-1918, “Strage inutile” (massacre inútil), “também no futuro a História lhe dará razão”, perante “esta guerra aos pedaços”, como lhe chamou “o saudoso Papa Francisco”.
“Queira Deus que os ‘grandes deste mundo’, aprendam com a História, que a guerra é sempre uma derrota”, desejou.
Assinalando a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, a Oitava do Natal, D. Francisco Senra Coelho afirmou que se verifica que o mal, “gerador de tanto sofrimento humano” que se encontra “espalhado sobre a face da terra, não se deve à distração, desinteresse, improvidência, ou falta de generosidade de Deus”, mas à “mesquinhez” do ser humano.
No final, o arcebispo de Évora reitera “votos de próspero, abençoado e fecundo Ano Novo de 2026” para todos e todas e recorda em oração, “muito especialmente, as crianças, os jovens, as famílias, os idosos, os doentes e sós”.
O Dia Mundial da Paz foi instituído, em 1968, pelo Papa São Paulo VI (1897-1978), e é celebrado no primeiro dia do novo ano.
LJ/OC
