Vice-almirante Vizinha Mirones e D. Sérgio Dinis analisam mensagem de Leão XIV, sublinhando a importância da formação ética dos militares

Lisboa, 01 jan 2026 (Ecclesia) – O comandante do Instituto Universitário Militar (IUM) defendeu hoje que a proposta do Papa para uma “paz desarmada” admite o recurso à “legítima defesa” e aponta a uma transformação que vai para lá da “ausência de guerra”.
“Quando o Santo Padre se refere a uma paz desarmada e desarmante, não está a defender o desarmamento per si, nem uma postura passiva relativamente à guerra ou à agressão. Defende a legítima defesa”, afirmou o vice-almirante José António Vizinha Mirones, em entrevista ao Programa ECCLESIA RTP2).
“O Papa defende que a paz verdadeira não passa só pela ausência da guerra, mas passa por algo mais profundo, que é a justiça, a solidariedade. E isso exige a transformação dos espíritos”, acrescentou.
No dia em que a Igreja Católica celebra o 59.º Dia Mundial da Paz, o responsável militar utilizou o atual conflito no leste da Europa para ilustrar a necessidade de forças de segurança.
“Fazendo a analogia com o conflito na Ucrânia: se a Ucrânia se desarmasse, a Ucrânia deixava de existir; se a Rússia se desarmasse, a guerra acabava”, sustentou.
Junto de D. Sérgio Dinis, bispo das Forças Armadas e de Segurança, o vice-almirante sublinhou que a mensagem de Leão XIV traz uma “responsabilidade acrescida” para a formação dos militares.
“Obriga-nos a reforçar aquilo que nós já fazemos no plano ético, que é dar aos nossos homens e às nossas mulheres a consciência de que são soldados da paz e que utilizam a força só em legítima defesa e a favor do nosso semelhante”, precisou.
Para o comandante do IUM, a segurança e a ordem são pré-condições essenciais para o desenvolvimento das sociedades, cabendo às Forças Armadas garantir que a força é usada para “trazer a esperança às pessoas”.

Por seu lado, D. Sérgio Dinis sublinhou que a verdadeira paz começa numa dimensão interior, alertando que o desarmamento físico é insuficiente sem uma mudança de atitude.
“A paz desarmada não é apenas a ausência de armas, é a paz que nasce de um coração que se desarma do ódio, da vingança e da indiferença. O Papa desafia-nos a uma verdadeira conversão”, referiu o bispo das Forças Armadas e de Segurança.
D. Sérgio Dinis destacou o papel dos capelães militares na promoção desta “humanização” no meio castrense, lembrando que a assistência espiritual é fundamental para manter o equilíbrio ético dos militares.
“A nossa missão é recordar que, mesmo no uso legítimo da força, o militar é um servidor da paz e da dignidade humana. Não podemos deixar que o coração endureça perante o horror do conflito”, apontou.
Se a guerra em si é uma ameaça, a tecnologia, nomeadamente a inteligência artificial, aplicada na guerra, é uma outra ameaça. Porque acaba por ser uma técnica sem ética.”
A entrevista analisou a primeira mensagem de Leão XIV para este dia mundial, na qual o Papa propõe o caminho da diplomacia e rejeita a lógica do medo.
PR/OC
