Nota do «Conselho Indigenista Missionário» Às três horas da madrugada do dia 06 de Janeiro, aproximadamente 200 pessoas invadiram e depredaram a sede da missão indígena do Surumu. O Pe. Ronildo Pinto França, Pe. Cézar Avellaneda (missionário visitante com um grupo de sete estudantes de Manaus) e o Irmão Juan Carlos Martinez, missionários da Consolata foram sequestrados espancados e continuam amarrados na maloca-comunidade do Contão. A missão do Surumu,distante 220 quilómetros da capital Boa Vista, está localizada dentro da Área Indígena Raposa Serra do Sol. Nela funciona um Centro de Formação Indígena. É uma escola de segundo grau orientada para a agro-pecuária. Nove alunos que se encontram em plantão de férias, também estão reféns dos invasores que se mantém no local. Este facto não é isolado. Faz parte de um conjunto de manifestações lideradas pelos plantadores de arroz, fazendeiros e políticos invasores da área indígena que estão inconformados com a informação do Ministro da Justiça de que, neste mês, a Terra Indígena Raposa Serra do Sol será homologada em área contínua. Bloquearam todas as estradas, ocuparam a Funai e ameaçam ocupar a Catedral Cristo Redentor e o CIR (Conselho Indígena de Roraima). Esses factos revestem-se de extrema gravidade e revelam as consequências da protelação da homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, anunciada e publicitada em diversas ocasiões no decorrer do ano de 2003. Essa circunstância permite que os inimigos dos índios utilizem, da velha estratégia de estimular o conflito interno, como forma de alcançar seu intento genocida. Os factos orquestrados de violência revelam o desassossego diante da anunciada homologação, de sectores agressivamente anti-indígenas, e que recentemente se viram envolvidos no escândalo dos gafanhotos. Como missionários articulados no Cimi, vemos a prisão desses nossos membros, como uma absurda agressão ao trabalho por eles desenvolvido na perspectiva da garantia dos direitos constitucionais desses povos, bem como uma afronta a todo o trabalho missionário da Igreja Católica no Brasil. Diante disso, exigimos providências imediatas do governo no sentido de garantir a integridade e liberação dos missionários sequestrados, bem como a prisão preventiva e a punição dos mandantes de tais arbitrariedades e violências. Além disso, só a imediata homologação da terra porá fim a semelhantes acções. Queremos manifestar nossa solidariedade e apoio irrestrito aos índios articulados no CIR e outras organizações, na sua luta pela homologação da terra, bem como aos missionários e à Diocese de Roraima que incansavelmente vem dedicando suas vidas pelos direitos indígenas e pela justiça social na região. Cimi – Conselho Indigenista Missionário, Brasília, 6 de Janeiro de 2004.
