Ano Santo 2025: Padre Tony Neves destaca «adesão mundial muito grande» ao Jubileu da Esperança

«Entrei nas Portas Santas umas 30 vezes em cada uma», partilhou o sacerdote português

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Lisboa, 05 jan 2026 (Ecclesia) – O padre Tony Neves, missionário espiritano que vive em Roma, afirma que o Ano Santo 2025 “está a ser uma celebração claramente universal”, e espera que “continue localmente, na vida de cada um e de cada comunidade, a aprofundar-se e a celebrar-se”.

“Uma nota curiosa é a nota de uma adesão mundial muito grande. Roma, apesar de agora já estar frio, tem gente que nunca mais acaba, mas é gente, gente, gente, gente. E a gente olha para os rostos e é gente que vem de todo lado. Está a ser uma celebração claramente universal. E isso é bom”, disse o conselheiro geral da Congregação do Espírito Santo, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O padre Tony Neves destaca que o Ano Santo 2025 para além de um jubileu universal foi também um jubileu que, “praticamente todos os fins-de-semana”, celebrou algo específico, o que ajudou também “a aprofundar dimensões da vida humana, da vida cristã, da vida celebrativa”, e a esse nível “está a ser um grande momento”, porque os jubileus mais sectoriais “também têm potenciado reflexões”.

“É a cultura, é a educação, é o desporto, são os grupos corais, é a liturgia, é a justiça e paz, são os imigrantes. Eu espero que tudo aquilo que a gente aprofunda, reflete e celebra, continue depois na vida de cada um, e de cada comunidade a aprofundar-se, e a celebrar-se”, acrescentou.

“O jubileu tem que ser mesmo um ano de graça e tem que ser um ano explosivo, em que a gente rebenta para todos os lados as grandes dimensões da vida e da fé e depois, as vive no dia-a-dia e as tento melhorar a partir daí.”

A Igreja Católica está a celebrar o Ano Santo 2025, dedicado ao tema da esperança, por iniciativa do Papa Francisco, que faleceu a 21 de abril de 2025, e foi continuado no pontificado de Leão XIV.

O missionário português, que vive em Roma, acompanhou “muita gente” ao longo deste ano na capital italiana e no Vaticano: “Já entrei nas Portas Santas umas 30 vezes em cada uma”.

‘Spes non confundit’ (A esperança não engana), é o título da bula de convocação deste Ano Santo, o conselheiro geral da Congregação do Espírito Santo salientou que “aquilo que dependia da Igreja foi organizado”, “o balanço que tem sido feito é positivo”, mas “há coisas que não dependem do jubileu”, como um cessar-fogo global.

“Objetivos que a Igreja pensou para o mundo, muitos desses objetivos, para serem alcançados, muita outra gente tinha que aderir, e a gente sabe, por exemplo, a questão da paz o Papa Francisco tinha proposto que era importante reduzir o orçamento militar para criar um fundo de combate à fome. O que aconteceu? Exatamente o contrário, nunca se investiu tanto em armas e logística militar como agora”, desenvolveu.

O padre Tony Neves lamentou que não é possível construir a paz “num momento em que multiplicam-se guerras”, e explicou que a guerra “também engorda muita gente”, a guerra e a logística militar “fazem rolar milhões e milhões e milhões”.

“Há muita gente interessada em que haja guerra. Agora, é preciso que o povo no seu todo, que obviamente não quer guerra, consiga fazer a sua voz ouvir-se, e que os líderes ouçam mais a voz do povo do que a voz interessada desta grande indústria armamentista. E esse é também um desafio.”

O Papa Francisco apelou ao perdão de dívida das nações mais pobres, para o missionário espiritano os países mais ricos “teriam sido mais humanos se, com os fundos disponíveis, tivessem avançado”, que é “uma dinâmica muito mais complicada”, para “garantir que esses países não continuem na mesma dinâmica”.

“Ao perdoar a dívida, tu tens que traçar aí um roteiro de autossustentabilidade. Cada país que neste momento está endividado, a dívida vai-lhe ser perdoada, mas há uma conversão interna a fazer para que tu, amanhã de manhã, já não estejas a endividar-te outra vez”, acrescentou o conselheiro geral da Congregação do Espírito Santo.

O Papa Leão XIV vai presidir ao encerramento deste Ano Santo, o 27.º jubileu ordinário da história da Igreja Católica, esta terça-feira, dia 6 de janeiro de 2026, iniciativa que terminou nas dioceses por todo o mundo a 28 de dezembro de 2025.

LJ/CB/PR

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