Patriarca de Lisboa presidiu à Eucaristia na festa anual da Comunidade Vida e Paz

Lisboa, 21 dez 2025 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa evocou hoje, na Eucaristia da Festa de Natal da Comunidade Vida e Paz (CVP), que Jesus Cristo assumiu a condição de quem vive na rua, no seu nascimento, identificando-se com tantas pessoas sem-abrigo.
“O Filho de Deus foi, desde a primeira hora, um ‘sem-abrigo’. Ele conheceu o frio, a falta de teto e a indiferença de quem fechou a porta”, refere a homilia de D. Rui Valério, preparada para a celebração na Cantina da Cidade Universitária de Lisboa.
“Convido-vos a olhar para o Presépio. Às vezes pintamo-lo com luzes bonitas, mas o primeiro Natal foi marcado pela precariedade. Jesus não nasceu num palácio. Nasceu numa gruta, porque ‘não havia lugar para eles na hospedaria’”, acrescenta a intervenção enviada à Agência ECCLESIA.
A 37ª edição da ‘Festa de Natal’ com as Pessoas em Situação de Sem-Abrigo decorre desde sexta-feira, na Cantina da Cidade Universitária de Lisboa.
Dirigindo-se a uma assembleia marcada pela fragilidade social, o responsável católico sublinhou que o nascimento numa gruta, porque “não havia lugar na hospedaria”, é a prova de que Deus está perto de quem sofre.
“Deus não nos olha de cima, de um trono distante. Ele sabe o que é dormir ao relento. Ele sabe o que é o desconforto e a incerteza do amanhã”, sustentou.
D. Rui Valério procurou combater o estigma da invisibilidade social, deixando uma mensagem direta aos utentes da festa solidária: “Pode ser que o mundo te ignore, que passes pelas ruas como se fosses invisível, mas para Deus, tu és um tesouro único”.
“A vossa dignidade não vem da casa onde moram, mas da presença de Deus que habita no vosso coração”, acrescentou.
O patriarca evocou ainda a figura de São José, cujos planos de vida foram “virados do avesso”, como exemplo de resiliência para quem viu os seus sonhos interrompidos “pela solidão, pelo desemprego ou pela doença”.





O evento proporcionou a centenas de pessoas o acesso a consultas médicas, tratamentos dentários e serviços de higiene.
Durante estes três dias, com o apoio de benfeitores, parceiros, voluntários e profissionais, são assegurados “inúmeros serviços às pessoas em situação de sem-abrigo ou vulnerabilidade, saúde, cidadania, cuidados de higiene, banco de roupa, refeições e animação”, destaca a CVP, instituição sem fins lucrativos do Patriarcado de Lisboa.
D. Rui Valério elogiou o trabalho da instituição, referindo que “cada refeição partilhada, cada conversa, é um sinal de que Deus não se esqueceu” de ninguém.
A iniciativa com centenas de voluntários, reafirmando-se como um espaço onde, nas palavras do Patriarca, se recorda que Deus é um Pai que caminha com os seus filhos “todos os dias, mesmo nas noites mais escuras”.
“Que o Menino Jesus, que nasceu pobre, encha o vosso coração de esperança. Não estais sozinhos. Deus está connosco”, concluiu.
Em 2024, os vários serviços da iniciativa acolheram cerca de 1800 convidados, prestaram mais de 1000 atendimentos de saúde, deram mais de 4200 refeições e distribuíram 12 072 peças de roupa.
CB/OC
Lisboa: Comunidade ‘Vida e Paz’ realiza «Festa de Natal» solidária com convidados especiais
