Patriarca de Lisboa pediu o dom da paz interior, da alegria e da ternura para as «heroínas sem lágrimas»
Lisboa, 20 dez 2025 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa presidiu hoje à bênção das grávidas, que considerou “heroínas sem lágrimas”, lembrando que “a maternidade começa antes do parto”.
“A vida que cresce em vós não é apenas vida ‘por nascer’; é também a vida que já se oferece, desde agora, na forma de misericórdia, de compaixão, de ternura. A maternidade começa antes do parto: começa na atenção silenciosa, nos cuidados diários, na renúncia escondida, na força de ‘fazer tudo’ por um filho”, afirmou D. Rui Valério.
O patriarca de Lisboa disse que o espírito da maternidade é “profundamente natalício”, porque o Natal traduz “alguém que acolhe, alguém que protege, alguém que coloca a vida do outro no centro”.
D. Rui Valério lembrou que “a vida humana é sempre um mistério”, referindo que um filho “é sempre mais do que aquilo que sabemos”.
“Uma mãe sabe o essencial: ‘é meu filho’ e ‘amo-o com um amor que não cabe em mim’. Mas não sabe tudo o resto: que caminhos fará, que escolhas terá, que feridas poderá encontrar, que alegrias o esperam, que vocação o habita”, indicou.
É precisamente este desconhecido que hoje aumenta a inquietação: um mundo marcado por insegurança, por conflitos, por tensões, por guerras, por instabilidade económica, por discursos agressivos, por medo do amanhã”.
Na homilia da Missa, D. Rui Valério evocou o exemplo de São José, afirmando que representa, “com uma nobreza enorme”, o que miutos sentem: “a vontade de proteger e, ao mesmo tempo, a consciência de não controlar”.
“Ele hesita porque se vê diante de um mistério maior do que os seus cálculos. E, no entanto, reparemos: a hesitação de José não é frieza; é reverência. Não é indiferença; é temor sagrado diante do que não entende. Há uma forma de dúvida que nasce do amor: é a dúvida de quem quer fazer bem, de quem não quer ferir, de quem deseja proteger e não sabe como. Por isso, a hesitação de José pode ser também uma palavra de consolo: sentir-se inseguro não é sinal de falta de amor; muitas vezes é o próprio amor, enorme, que nos torna vulneráveis”, sublinhou.
O patriarca de Lisboa lembrou que “o maior inimigo da vida não é a fragilidade”, mas o medo que fecha e “impede de confiar”, desafiando as mães a não temer.
“Queridas mães: não temeis. Não por serem heroínas sem lágrimas, mas porque não estais sozinhas. ‘Emanuel’ significa isso mesmo: Deus connosco. Deus convosco nos dias luminosos e nos dias cansativos. Deus convosco nas consultas, nos exames, nas noites mal dormidas, nas preocupações silenciosas, nos medos que não se dizem. Deus convosco no parto e na educação, na alegria e na fadiga”, afirmou.
Na bênção das grávidas, D. Riu Valério pediu “o dom da paz interior, para que o medo não tenha a última palavra”, “o dom da alegria” para que as mães reconheçam “a beleza do que está a acontecer”, e “o dom da ternura, porque é a ternura que salva o mundo”.
“Peço também um dom para todos nós, comunidade: que saibamos ser como José e como Maria — pessoas que criam condições para a vida, que protegem sem dominar, que acompanham sem sufocar, que servem sem se impor. Que cada grávida se sinta amparada, respeitada e apoiada. Que ninguém atravesse este caminho sozinho”, concluiu.
A bênção das grávidas foi promovida pelo projeto “O Presépio na Cidade”, que decorre na Rua Garret, em Lisboa, ao lado da Basílica dos Mártires.
PR
