O Deão do Cabido Metropolitano Bracarense afirmou, dia 3 de Janeiro, que sonha com o dia em que o centro das atenções da instituição «possa estar na evangelização da cultura, na evangelização pela cultura». O cónego Pio Gonçalo Alves de Sousa falava, ao fim da manhã, na cerimónia de apresentação de cumprimentos de Ano Novo ao Arcebispo Primaz. Além da evangelização da cultura e pela cultura, o Deão confessou um outro sonho: poder olhar «com mais fidelidade criativa» e «sem distracções inadiáveis», «para a vida litúrgica da Sé, em articulação com a Paróquia e com a pastoral da Cidade e da Arquidiocese». Na alocução a que tivemos acesso, o cónego Pio Gonçalo manifestou a esperança de que esse dia chegará. Mas, por agora, — disse — «continuaremos a fazer, serenamente, o que for possível». Começando por referir-se ao primeiro ano de mandato, o Deão do Cabido afirmou que procurou «governar de um modo tão colegial quanto possível»; e destacou «a generosa colaboração de um bom punhado de capitulares» para que fosse dada resposta «aos compromissos inadiáveis». Olhando depois para o ano que agora começa, admitiu que será ainda, em grande parte, «gasto no desempenho do ofício de construtor civil sem vocação». Ainda assim, não se revelou preocupado com as obras na Sé, por se terem consolidado «mecanismos institucionais de cooperação». Os trabalhos de expansão e «as correspondentes dívidas» da expansão do Museu-Tesouro vão continuar, pois, no centro das atenções. Até ao dia em que haja disponibilidade para os tais sonhos… Há, no entanto, uma tarefa que o Deão do Cabido rotulou de «compromisso permanente» e que não será adiada em 2004: a condição do Cabido como “colégio de consultores”. Afirmou ter, de facto, a percepção, «cada vez mais nítida, que um Cabido sensato poder ser um valioso instrumento no governo de uma qualquer diocese. Também em Braga: ontem, hoje, amanhã». Pio Gonçalo mencionou o dever de o Cabido, colegial ou através de cada um dos seus membros, ser capaz de emitir opinião «serena e fundamentada», quando tal lhe for solicitado ou quando se afigurar como um dever. Esta opinião – esclareceu — «poderá servir para acalentar decisões; para propor novos rumos ou iniciativas; para matizar propostas, ou para discordar, sempre que esse for o nosso consciencioso parecer». O Deão mostrou-se convicto de que esta franqueza colaborante «é a melhor prenda» que os cónegos podem oferecer ao Prelado, «nas vésperas da festa de Reis e nos primeiros dias de um novo ano». Fundamentando esta convicção, antes pormenorizara: «Tenho para mim que o pior que pode acontecer a quem governa é estar rodeado de assessores que dizem sempre e só o que sabem que o superior gosta de ouvir». E matizou: «tudo pode ser dito: depende só da maneira e da oportunidade de o dizer» D. Jorge agradece e ouve Cabido Agradecendo os cumprimentos dos Capitulares, o Arcebispo Primaz aproveitou a audiência de ontem para manifestar o seu apreço pelo Cabido Metropolitano, valorizando-o como órgão de conselho. Aludindo à circunstância feliz de a recepção se realizar praticamente nas vésperas da Epifania, D. Jorge Ortiga lembrou que tem a missão de manifestar Cristo e que a procura cumprir «de um modo colegial, privilegiando a atenção ao parecer dos diversos órgãos de governo». O Arcebispo Primaz confessou que, nos quatro anos e meio que leva neste serviço, o que lhe tem dado mais alegria «têm sido os momentos em que os sacerdotes, colegial ou individualmente, se aproximam para dizerem o que pensam». Referindo-se ao facto de o encontro de ontem se realizar num Paço renovado, o prelado afirmou que deseja fazer dele «uma casa aberta», onde estará disposto a ouvir quantos o queiram ajudar no exercício do seu ministério, «discernindo o que o Espírito diz hoje à Igreja de Braga». Aliás, concretizando o reconhecimento do cabido como Colégio de Conselho, D. Jorge Ortiga ontem mesmo ultrapassou aquilo que poderia ser um encontro formal de início de ano – aproveitando-o para trocar impressões com os cónegos acerca de um projecto que está em fase de estudo e acerca do qual já terá recolhido também algumas opiniões na mais recente sessão do Conselho Presbiteral.
