Fátima e o mundo secularizado

Fátima e o mundo secularizado O Cardeal Saraiva Martins trouxe a Fátima uma crítica duríssima ao esquecimento de Deus, fonte do “relativismo ético” que coloca em causa a vida e a dignidade da pessoa humana e advertiu os católicos para a crescente “secularização e indiferença religiosa”. Presidindo às cerimónias do 13 de Maio que volta a congregar centenas de milhares de peregrinos de todos os pontos do país e muitos do estrangeiro, o Cardeal português no Vaticano falou sobre a “actualidade da mensagem de Fátima”, acusando a sociedade de “crescente e desenfreada secularização”. “A sociedade de hoje é levedada por múltiplos fermentos e correntes culturais que põem em perigo os próprios fundamentos da Fé cristã”, advertiu D. Saraiva Martins, que apontou o dedo, também, à “desarmonia entre a Fé e o agir entre os baptizados”, explicando que no contexto da globalização, “hoje mais do que nunca são necessárias a solidez e o testemunho da Fé”. A contrapor a esta indiferença, o Cardeal exigiu a “rejeição do relativismo ético” e a promoção da família como “sociedade natural fundada no matrimónio” e o respeito do ser humano, proferindo uma clara recusa ao aborto e à eutanásia. O momento actual de crise internacional – sobretudo a “exasperação” de conflitos na Terra Santa e Médio Oriente, além do terrorismo – não foi esquecido na intervenção de D. Saraiva Martins, para quem não se pode ouvir Deus sem escutar a voz dos irmãos. “Ninguém pode ficar indiferente ao drama da fome e da pobreza extrema de tantos milhões de homens, – referiu – é inadmissível que um bilião e duzentos milhões de pessoas sejam constrangidas a viver com menos de um Euro por dia”. “A história ensina que na origem da guerra estão situações de injustiça e a negação de valores sem os quais uma democracia facilmente se converte e, totalitarismo”, afirmou. Apesar de ter traçado um cenário de crise de valores, o Cardeal não deixou de apresentar sinais de esperança, nascidos da crescente exigência de concórdia e paz. “Ao lado de tantas tragédias e do egoísmo dos projectos humanos sem transcendência, nota-se hoje um crescente desejo de espiritualidade, de comunhão e de colaboração”, disse, apresentando a convicção de que o homem de hoje “tem saudades de Deus”. A concluir a sua intervenção, o Prefeito da Congregação da Doutrina dos Santos lembrou aos peregrinos que “todos somos chamados para a construção deste novo mundo, mais justo, mais humanos e, por isso mesmo, mais cristão”.

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