Mensagem para o Dia Mundial da Paz apresentada no Vaticano O panorama internacional de guerras, conflitos e terrorismo está na origem do grito de esperança lançado hoje por João Paulo II: “Hoje, no início do novo ano 2004, a paz continua ainda possível. E, se é possível, então a paz é um dever!”. O Papa dirige-se em especial, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2004 aos homens e mulheres tentados a recorrer “ao inadmissível instrumento do terrorismo”, pedindo a todos, desde os políticos aos homens da cultura, “a abraçarem a causa da paz, contribuindo para a realização deste bem primário e deste modo assegurando ao mundo uma era melhor de serena convivência e respeito mútuo”. Ao escolher a “educação para a paz” como tema de fundo para a mensagem do Dia Mundial da Paz o Papa mostra-se, assim, firme na sua intenção de não abdicar da busca de soluções pacíficas para os conflitos que afligem todo o mundo, em especial o Médio Oriente. Nesse sentido, ganha relevo a condenação explícita de “operações repressivas e punitivas”, numa referência ao recente conflito no Iraque. “É essencial – diz o Papa – que o recurso necessário à força seja acompanhado por uma análise corajosa e lúcida das motivações subjacentes aos ataques terroristas.” A mensagem, dividida em 10 pontos, dedica a sua parte central à “chaga do terrorismo” que segundo João Paulo II, “nestes últimos anos ficou mais virulenta, produzindo cruéis massacres que têm tornado cada vez mais hirto de obstáculos o caminho do diálogo e das negociações, exacerbando os ânimos e agravando os problemas”. A luta contra o terrorismo, de acordo com o texto, “deve traduzir-se também no plano político e pedagógico: por um lado, removendo as causas que estão na origem de situações de injustiça; por outro, insistindo numa educação inspirada pelo respeito da vida humana em todas as circunstâncias.” A fragilidade do direito internacional, revelada durante a guerra no Iraque, foi uma das justificações avançadas para a escolha do tema. Pedindo um novo “ordenamento internacional”, João Paulo II deixa na sua mensagem um apelo a todos os Estados para que promovam “uma reforma que torne a Organização das Nações Unidas capaz de funcionar eficazmente em ordem à consecução dos próprios fins estatutários, válidos ainda hoje”. A Mensagem do Papa • Um compromisso sempre actual: educar para a paz
