O futuro da Igreja assenta em pequenos grupos que vivam intensamente a sua fé. Todavia, isto não significa que o modelo actual, alicerçado nas paróquias, esteja falido. “Ainda tem futuro, se for uma comunidade de comunidades”, apostando na formação e numa pastoral conjunta, sobretudo nas cidades. Eis algumas das ideias defendidas, dia 10 de Dezembro, pelo Arcebispo de Braga, numa tertúlia com universitários realizada num dos cafés históricos da cidade. Este debate inédito, organizado pela Pastoral Universitária, se confirmou as dificuldades que a hierarquia da Igreja sente no relacionamento com o mundo universitário, também revelou que as culpas da falta de comunicação devem ser repartidas, a avaliar pelas intervenções que foram feitas. E ainda que a cidade de Braga não é “alérgica” a este tipo de reflexão, como referiu D. Jorge Ortiga. Nas breves intervenções que fez, e quase sempre para responder às questões e interpelações dos estudantes, D. Jorge Ortiga afirmou que “o futuro da Igreja vai passar pelos pequenos grupos que vivem intensamente a sua fé”. Grupos formados por poucas pessoas, sem dúvida, “mas com uma consciência e responsabilidade muito maiores”, no que concerne à participação activa na vida da Igreja. Para o Arcebispo de Braga, “a coragem de discordar” é importante, mas “também é preciso sublinhar o muito de positivo que há na Igreja. E neste aspecto, os jovens estão a ter um papel preponderante”, realçou. Para que a Igreja seja cada vez mais credível, disse também D. Jorge Ortiga, tem de apostar mais no acolhimento, sem contornar o que estipula o Direito Canónico. “Às vezes, falta-lhe um pouco de coração, de afecto”, disse. A incompreensão deste e de outros assuntos eclesiais, como também se reconheceu nesta tertúlia, deve-se ao desconhecimento do que a hierarquia da Igreja tem dito. “Desconhece-se a doutrina, os documentos, falta estudá-los e aplicá-los” na vida quotidiana — afirmou D. Jorge Ortiga.
