O constitucionalista judeu Joseph Weiler apresentou ontem em Madrid a sua obra “Uma Europa Cristã”, onde defende abertamente a inclusão de uma referência ao cristianismo no Preâmbulo da Constituição Europeia. “Uma vez que se decidiu ter um Preâmbulo na Constituição Europeia – algo que não era estritamente necessário-, não é justo que se adopte uma simbologia que é própria apenas da Constituição francesa. Não se pode pregar o pluralismo cultural e ao mesmo tempo querer exercer constitucionalmente o imperialismo cultural”, referiu na apresentação da obra. “Privilegiar a simbologia laicista sobre outras coisas é um jacobinismo cultural inaceitável”, acrescentou. Weiler, um dos mais destacados constitucionalistas nos processos de integração europeia, rebate a “ingénua convicção de que o Estado, para poder ser religiosamente neutro, deva exercitar um rigoroso laicismo”, porque para o Estado, “abster-se de qualquer símbolo religioso não é mais neutro que adoptar qualquer forma de simbolismo religioso”. O catedrático norte-americano é ainda mais contundente ao afirmar que “é simplesmente ridículo não reconhecer que o cristianismo é um elemento enormemente importante para a definição do que nós entendemos por identidade europeia, para o bem e para o mal.” “Não existe um juízo valorativo ao afirmar este facto empírico”, concluiu. O livro foi editado em Portugal pela Principia. Ver também • Uma Europa Cristã
