As famílias portuguesas vivem uma “dicotomia cultural” que as leva a desejar uma vida familiar estável mas a optar por uma vida marcada pelo efémero, pelo consumismo e pela falta de valores. Assim o afirma à agência ECCLESIA a coordenadora nacional para a política da família. ”As motivações e as esperanças para a família de hoje são enormes, o desejo de que a família funcione e seja o núcleo essencial da sociedade permanece”, refere Margarida Neto. “A dificuldade é que o mundo de hoje está virado para outros valores: entre a estabilidade da vida familiar, o tempo para o acompanhamento dos filhos, e a velocidade consumista do nosso mundo opta-se muito pela voragem do consumo. Daí que os nossos tempos de trabalho não estão feitos a pensar na família, o trânsito, a escola, a falta de creches, a ausência de trabalho em tempo parcial, tudo isso acrescenta dificuldades à vida familiar”, afirma. Analisando a realidade que nos rodeia, Margarida Neto explica que se pode encontrar três níveis na vida em e para a família: “há um nível pessoal, da motivação para a felicidade, que é constante e vem do coração do homem, mas esbarra com a cultura dominante em que tudo é feito a pensar no efémero, havendo um choque entre as duas tendências que nos coloca numa situação particularmente difícil”.
