“Não podemos transformar as paróquias em agências de solidariedade social, que funcionem como simples peças da rede do Estado. Mas também não podemos cair num certo espiritualismo desincarnado” – afirmou D. António Braga, bispo de Angra, na quinta assembleia plenária do Conselho Pastoral da diocese de Angra, realizada dos dias 16 a 18 de Maio, naquela cidade açoriana. Aos cristãos, o conselho pastoral diocesano recomenda uma intervenção “mais activa na sociedade, através da denúncia corajosa das injustiças e da participação cooperante em organizações comunitárias sempre inspiradas na Doutrina Social da Igreja” apontando como um dos caminhos “a criação de grupos de cristãos” para analisar as “situações do mundo e discernir os sinais dos tempos”. Ao debater as causas da fraca participação cívica e política, o Conselho Pastoral Diocesano, constituído por 6 membros natos, pelos representantes das Ouvidorias de cada uma das ilhas, membros eleitos em representação dos Institutos Religiosos e diversas organizações de leigos e 4 elementos designados pelo bispo diocesano, constatou que tal acontece devido “ao descrédito, desencanto e comodismo que invade a comunidade pelo incumprimento de promessas de responsáveis políticos”. Aos vários organismos paroquiais, recomendou-se que vivam “uma melhor interligação” de forma a “criar sinergias e ampliar as actividades sociais”. Estes deverão ser “independentes relativamente aos poderes político e económico” – defenderam os elementos do Conselho Pastoral.
