Um sacerdote no mundo do futebol

Pe. Jorge Duarte, antigo membro da Comissão-executiva da Liga Profissional de Futebol: «o desporto pode ser uma escola de valores, tolerância, humanismo e encontro de pessoas» As “sombras” que a Conferência Episcopal Portuguesa apontou recentemente em relação ao mundo do futebol devem ser entendidas como um aviso mais abrangente à vida de toda a sociedade. A opinião é do Pe. Jorge Duarte, foi durante muitos anos dirigente desportivo, no Tirsense (1983-1991) e posteriormente como membro da Comissão-executiva da Liga Profissional de Futebol, organismo que gere as competições profissionais em Portugal. “O mundo do futebol precisa de tanto trabalho como outro qualquer. Não me parece que haja mais sombras no futebol do que noutro sector da vida, julgo apenas que este é muito mais mediatizado pelo que as virtudes e defeitos são mais conhecidos”, diz à Agência ECCLESIA o assistente religioso do Centro de Produção do Porto da RR. Para este sacerdote, o tributo que o futebol paga é o de aceitar ser controlado e criticado pela Comunicação Social, onde ocupa muito espaço. “Tende-se a esquecer a potencialidade de congregar pessoas, de se fazer festa, de se sentir a paixão por algo que as une”, adverte. O Pe. Jorge Duarte admite que paixão, em todos as esferas da vida, às vezes está no limite da violência, do confronto com o outro, pelo que “é missão de quem dirige saber fomentar e cultivar o respeito pelo adversário, do sentido da festa”. “Como eu, muitos outros dirigentes vivem preocupados com as sombras que há no futebol profissional, porque o desporto pode ser uma escola de valores, tolerância, humanismo e encontro de pessoas”, refere. A transformação do desporto em fenómeno comercial, a que se associam parte significativa dos problemas actuais que nele são detectados, poderá trazer em si um potencial regenerador. “Os espectadores só irão ao futebol se se sentirem seguras, se houver um bom espectáculo, porque o que é feio não se vende, as pessoas ligadas à área estão empenhadas em tornar o desporto atraente e pacífico, uma escola de valores”. Consciente dos pontos negativos muitas vezes associados ao fenómeno desportivo, o Pe. Jorge Duarte chama a atenção para o perigo das generalizações. “O mundo futebol não é o inferno onde existe a corrupção e o jogo de bastidores em contraponto ao paraíso fora dele. Quem é sério na vida é sério no futebol”, conclui. A Nota da CEP • O Desporto ao serviço da construção da pessoa e do encontro dos povos

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