D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa e Magno Chanceler da UCP, pediu ao governo português e aos responsáveis pelas universidades do nosso país que protejam e acarinhem estas instituições: “a reflexão sobre o papel das universidades leva-nos a concluir que estes centros do saber devem ser protegidos como espaços sagrados de liberdade e resolução desapaixonada dos problemas dos homens”, afirmou D. José. Falando no encerramento da sessão comemorativa que decorreu no dia 31 de Janeiro, no edifício da UCP em Lisboa, D. José defendeu que a universidade deve desempenhar um papel fundamental na elaboração do que definiu como “nova Racionalidade”, o apanágio principal da cultura do Ocidente. Os aspectos a aprofundar na construção desta nova racionalidade são a reformulação da visão da laicidade – que não pode recusar a visão religiosa, porque criaria “um fosso enorme entre a razão e o homem” -, da relação entre ciência e ética e da integração da dimensão estética na busca do saber”, explicou o Cardeal Patriarca de Lisboa. O lema das comemorações deste ano foi “A Universidade Católica Portuguesa pela construção de uma Europa Cultural”, em resposta ao apelo do Papa às Universidades Católicas Europeias para que lembrem a todos que em tempos de alargamento e reformas institucionais, a Europa não deve esquecer que a sua história tem raízes assentes no Cristianismo. Manuel Braga da Cruz, Reitor da UCP, defendeu mesmo que a Europa não deve rejeitar ou ignorar o contributo do “humanismo cristão “como um dos valores que modelaram a Europa, “uma realidade que é mais do que uma unidade económica e política”, realçou. Neste contexto, os professores Hilmar Fenge, Bronislav Geremek e Jacques Brèze, receberam o doutoramento Honoris Causa pelos seus esforços na área do direito, da política e da economia, onde desempenharam um papel de relevo na construção da nova Europa e foram um sinal da nova concepção de Universidade na sociedade contemporânea. O Reitor da UCP garantiu estar disposto a participar nas reformas estruturais anunciadas pelo Governo para o ensino superior. Manuel Braga da Cruz diz que a Católica pretende dar mais e melhor e espera que a Universidade mantenha o estatuto específico que até agora lhe foi concedido. “Nós próprios reivindicamos e continuamos a reivindicar a autonomia, acompanhada de responsabilidade, de que temos usufruído e de que temos dado provas. Espero que futuramente, depois da ratificação da Concordata, na elaboração do novo decreto da Universidade Católica, essa autonomia e responsabilidade sejam de novo confirmadas”, afirmou o Reitor da UCP. Pedro Lynce, Ministro da ciência e do ensino superior respondeu com a promessa de diminuir o fosso entre o ensino superior público e o não-público, começando por alargar o apoio da acção social escolar a todos os universitários, para que “os constrangimentos de ordem financeira não limitem a liberdade de escolha”.
