D. Jorge Ortiga e o bispo auxiliar, D. António Marto, alertaram para o perigo de os seminários diocesanos de Braga se tornarem residências de estudantes, se o programa formativo da instituição não for assumido como um compromisso pessoal por cada um dos seminaristas. Falando na sessão solene da abertura de mais um ano de actividades, que decorreu no Seminário Menor, dia 6 de Novembro, D. Jorge Ortiga afirmou que a “vida comunitária”, uma das características da instituição, implica “o compromisso pessoal” de cada um dos candidatos ao sacerdócio. É nisto que os Seminários se diferenciam das residências universitárias, afirmou também o Arcebispo , realçando o que D. António Marto dissera antes, ao falar da identidade da instituição e dos cuidados a ter na formação dos futuros padres. Segundo D. António Marto, que apresentou o Seminário como casa e escola da comunhão, “um dos riscos” é proporcionar “uma vida burguesa”, dando todas as condições para que os seminaristas possam “comer, estudar e dormir” sem grandes preocupações. Sem descuidar esta vertente, a preparação dos futuros padres tem de basear-se “na leitura orante da Palavra de Deus” (a chamada “lectio divina”), e não apenas na exegese dos textos bíblicos; “no amor profundo e fervoroso a Cristo presente na Eucaristia”; e “na devoção a Maria no sentido que o Papa nos pede”, isto é, contemplando Cristo através de Nossa Senhora. Na sua intervenção, D. António Marto pediu também aos seminaristas que estudem Teologia “com paixão” e incentivou-os a “estar próximos” das pessoas com quem se relacionam. O Bispo Auxiliar de Braga apelou ainda à criação da “consciência da família sacerdotal diocesana”, sobretudo através “do diálogo entre as diversas gerações”, afirmando ainda que, mais do que superar conflitos, aos padres compete-lhes “preveni-los”.
