O projecto Educativo da Escola Católica

Reportagem no Colégio do Calvão É mais conhecido como colégio do Calvão, mas o seu nome próprio é Colégio de Nossa Senhora da Apresentação de Calvão, e é uma das muitas escolas católicas existentes no nosso país. Localizado na diocese de Aveiro, a cerca de 20 quilómetros a sul desta cidade, “numa zona predominantemente rural” está Rodeado de pinhais e dunas e os cerca de 1400 alunos, “não usam farda”, que o frequentam são “educados para os valores” – sublinhou à Agência ECCLESIA O Pe. João Mónica, director do colégio. Se hoje é uma “Escola Católica”, este estabelecimento de ensino tem atrás de si cerca de 70 anos de história. De 1934 até 1960 foi “um colégio de um padre da aldeia”, de 1960 até 1985 foi um Seminário da diocese e deste essa data até hoje é um “destes colégios de aldeia que suprem as limitações do Estado quando este não tinha escolas” – disse o director do Colégio. Uma escola com história Com um determinado peso histórico, a distinção deste estabelecimento de ensino em relação a outros reside – segundo palavras do Pe. João Mónica, director do Colégio – na “impossibilidade de existirem duas coisas iguais. Nada é igual”. Mas como colégio católico “temos o mesmo projecto educativo” de todos os outros que comungam “esta filosofia humanista”. Um projecto que tem as suas raízes na “Doutrina Social da Igreja” e é inspirada na mensagem “evangélica de Cristo”. Um caminho “estimulante” que se “constrói em conjunto” – refere Teresa Gonçalves, professora no colégio. A história deixou neste estabelecimento de ensino, criado “em cima de uma estrutura de seminário”, a herança das “regras disciplinares, maneiras de estar e relação entre professores” – cita o Pe. João Mónica. E avança: “durante 10 anos foi um seminário com rapazes e raparigas”. Uma inspiração dos tempos de seminário que deixou “especificidades” para o futuro: “espírito familiar, proximidade de relação e previsão de acontecimentos”. Tempos remotos onde a ausência de escolas predominava. A única escola existente era um “antigo colégio” mas “muito pequeno”. Só após o 25 de Abril de 1974, e mais concretamente nos últimos 10 anos, “é que surgiram escolas novas” – salienta. A proximidade dos professores O corpo docente, 120 professores, é “todo daqui”. Vivem num perímetro de “dez quilómetros da escola” e conhecem “os alunos e as respectivas famílias”. Cerca de 90% são “profissionalizados e são exclusivamente do colégio”. Nos critério de selecção “respeitamos muito a proximidade” porque “queremos “um espírito de família”. Católico de nome mas não rejeita professores “agnósticos ou ateus” apesar da preferência estar direccionada para os professores católicos “em caso de igualdade profissional”. E adianta: “temos um ou dois mas declaradamente ateus não há ninguém” – analisa o Pe. João Mónica. Teresa Gonçalves é docente de Português e Inglês naquele colégio e tem uma filha a estudar naquele estabelecimento de ensino. Esteve sete anos a leccionar no Ensino Público mas optou pelo colégio por razões de distância e pelo “projecto educativo” porque “é muito mais galvanizador das energias”. Uma opção que teve alguns inconvenientes – “vencimentos e Segurança Social” – mas “não estou minimamente arrependida” – disse Teresa Gonçalves. A luta dos professores não deve “estar situada nas migalhas do fim do mês mas na realização profissional”. A árvore, que é a escola, só cresce “se tiver as raízes bem assentes na terra”. Alertas ao Estado Sendo um colégio católico a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) faz parte “do currículo de todas as turmas” mas se algum aluno “apresentar razões suficientes para não frequentar EMRC colocamo-lo noutra situação”. É “obrigatória” no currículo mas “temos alunos de outras religiões” porque as aulas de EMRC “não são aulas de catequese”. Tempos lectivos que apontam para “comportamentos e maneiras de estar e relacionar” com base na filosofia humanista do colégio – frisou o Pe. João Mónica. Um escola situada em ambiente rural com “muitas carências a nível cultural”. Livrarias não existem e grande parte dos “nossos meninos não tem computador em casa” – analisa Teresa Gonçalves. No campo dos rankings escolares “estamos no aproveitamento médio” mas ao nível do abandono escolar, nos últimos anos, “é praticamente nulo” ao contrário do que acontece noutras escolas – afirma O Colégio do Calvão é um dos estabelecimentos de ensino que tem um “contrato de associação”. Uma fórmula que em “devido tempo viabilizou um financiamento do Estado”. Um apoio financeiro do Estado através “desta fórmula” que “serviu até agora”. Mas – segundo o Pe. João Mónica – é possível “encontrar outras fórmulas jurídicas de apoio a escola como esta”. E exemplifica: “o contrato de associação deixava os colégios numa situação de supletividade relativamente ao serviço do Estado, nesta área da educação”. Uma situação que criou algum mal estar porque “o Estado aproveitou as capacidades de organismos sociais e instituições de ensino quando não as tinha” e depois “quando chega diz: arredem-se porque agora estamos nós” – frisou o director do Colégio do Calvão. Uma situação “incómoda” porque o contrato de associação “deixa-nos nesta situação”. Ao Estado deixa um alerta: “as instituições prestam um serviço público mesmo sendo privadas”. E concluiu: “a educação faz a nação” e a “política faz a administração”.

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