João Paulo II defende que o caminho para a paz requer a purificação da memória de países e povos através do perdão. Este constitui uma «premissa indispensável para uma ordem internacional de paz», afirmou em uma mensagem divulgada aos participantes de um congresso organizado pelo Comité Pontifício de Ciências Históricas para comemorar o centenário da morte de Leão XIII. O Papa afirma que quem investiga sobre as raízes dos conflitos descobre que «as consequências funestas» de eventos do passado continuam presentes. «Com frequência estas memórias ‘contaminadas’ converteram-se em pontos de cristalização da identidade nacional, e em alguns casos, até da identidade religiosa”, escreveu. A mensagem de João Paulo II adverte os historiadores sobre a necessidade de “renunciar a toda a instrumentalização da verdade . O amor dos historiadores pelo próprio povo, pela própria comunidade religiosa, não deve entrar em conflito com o rigor pela verdade elaborada cientificamente e é aqui que se inicia o processo da purificação da memória». «Este esforço por purificar a própria memória implica, tanto para os indivíduos como para os povos, o reconhecimento de erros pelos quais é justo pedir perdão», esclareceu.
