Os acordos assinados no início deste mês entre o governo de Burundi e o principal grupo rebelde do país, as Forças pela Defesa da Democracia (FDD), são considerados neste momento pela Igreja Católica como a “tentativa mais séria de levar a paz ao país”. A agência de notícias missionária Fides, citando uma fonte anónima da igreja local, assegura que o governo, o exército e a guerrilha estão dispostos a respeitar os pactos assinados. “Já é possível notar resultados práticos, com uma certa redução dos confrontos armados. Infelizmente, a segunda guerrilha do país, as Forças Nacionais de Libertação (FLN), não aderiu aos acordos e continua a combater”, explica o entrevistado. A FLN é muito difícil de contactar porque os seus dirigentes vivem clandestinamente na floresta e raramente se encontram com pessoas estranhas à organização. São os próprios líderes desta guerrilha, porém, quem pede a mediação da Igreja Católica nas negociações entre o grupo e o governo. “As FLN pediram explicitamente a intervenção de D. Evariste Ngoyagoye, arcebispo de Bujumbura, e de D. Simon Ntamwana, arcebispo de Gitega. Os dois bispos convidaram os fiéis a expressarem sua opinião e diante de uma resposta positiva, aceitaram mediar entre as duas partes”, assegura a fonte contactada. Para observar o respeito dos acordos, está em curso o posicionamento no país de uma força de paz africana composta por três mil militares provenientes da África do Sul, Etiópia e Moçambique.
