No carnaval, tempo de folia por excelência, algumas paróquias organizaram corsos e desfiles pelas ruas e levam até “escolas de samba à missa” como aconteceu na paróquia de Sesimbra, diocese de Setúbal. Com estas iniciativas “pretendemos sacralizar o profano” – disse à Agência ECCLESIA o Pe. Sílvio Couto, pároco de Sesimbra. Numa terra com algumas escolas de samba e grupos “colocámos este desafio” e queremos “mostrar como a Igreja consegue fazer uma ligação entre a dimensão daquilo que foi o carnaval e o que é hoje” – referiu. Se em Sesimbra a aproximação da Igreja aos corsos é recente, em Aveiro, na paróquia da Sé, esta “tradição tem mais de 20 anos” e começou com o intuito de promover um encontro entre as pessoas, “numa cidade que começava a ter um grande boom no seu desenvolvimento populacional”. Do nada “nasceu um compromisso social de trazermos o carnaval para a rua todos os anos” – disse o Pe. João Gonçalves. Na cidade do rio Douro, a paróquia do Carvalhido também organizou, pela 12ª vez, o seu corso que teve mais de mil figurantes, de diversas faixas etárias, dos vários grupos paroquiais. Uma forma de “participar em actividades de cariz sócio-cultural que congregaram as pessoas da paróquia” – disse Isabel Cardoso, assistente social desta paróquia. Além da presença na missa, no passado dia 2 de Março, os elementos sambistas tiveram uma intervenção activa na Eucaristia: “entrada, apresentação dos dons e final” – salientou o Pe. Sílvio Couto. Músicas ao som de cavaquinho, os estandartes, os símbolos e referências à fantasia e letras deste ano deram à eucaristia um sabor carnavalesco. Uma actividade que “mobilizou mais de mil jovens” e que, segundo o pároco de Sesimbra, “foi uma forma da Igreja chegar à juventude”. E adianta: “torna-se urgente ir ao encontro de quantos, evocando as mais díspares razões ou desculpas, se possam ter afastado da dimensão (comunitária) de índole católica. A celebração não teve mascarados mas foi “distribuída uma mascarilha com uma mensagem da liturgia do dia” com o intuito “de olhar o mundo com outros olhos”. Um contraste entre as cores carnavalescas e “o Senhor das Chagas”, padroeiro da paróquia de Sesimbra.
