Os bispos católicos moçambicanos apelam aos órgãos eleitorais para não se deixarem “corromper nem influenciar por quaisquer interesses ideológicos ou políticos-partidários”, nas eleições autárquicas de Novembro deste ano e gerais de 2004. Em carta pastoral divulgada em Maputo, assinada por 15 bispos, a Igreja Católica moçambicana refere que “a isenção, a transparência e a legalidade dos actos do processo eleitoral constituem o melhor instrumento da consolidação do processo democrático do país”. Recordando que as equipas da Comissão Nacional de Eleições (CNE), que dirigiram as eleições autárquicas de 1998 e as gerais de 1999, “não foram bem sucedidas”, os prelados sublinham que este órgão deve ser constituído, nos termos da lei, por elementos politicamente isentos de qualquer tendência ideológica ou político-partidária. Os bispos moçambicanos afirmam ainda que a CNE tem grandes responsabilidades na aceitação ou não dos resultados, o que impõe ao órgão a necessidade de inspirar confiança a todas as forças políticas, em particular, e da sociedade civil, em geral. “A democracia moçambicana pode ser destruída se a CNE não conquistar a confiança de todas as forças políticas concorrentes ao acto eleitoral e, principalmente, da sociedade civil” – lê-se na carta pastoral. Os prelados daquele país lusófono exortam ainda à participação dos cidadãos moçambicanos no processo eleitoral, lembrando que este só se justifica e é aceitável, se nele concorre e participa a maioria dos eleitores. “Nas primeiras eleições autárquicas, realizadas em 1998, oitenta e cinco por cento dos eleitores inscritos não votaram, o que foi muito negativo. A abstenção permite introduzir nas urnas votos de eleitores que se abstiveram de votar”, sublinham os bispos católicos, realçando que “a abstenção significa favorecer e consolidar a situação de injustiça e de corrupção”. Para uma “adequada” fiscalização dos actos eleitorais que se aproximam, tendo em vista uma votação e apuramento dos resultados “isento e transparente”, o episcopado moçambicano propõe a organização de uma equipa de observadores e fiscais qualificados. “Apelamos à criação de mecanismos sérios e eficazes que permitam uma justa observação e fiscalização da votação e do apuramento dos seus resultados onde, além de observadores internacionais, os políticos e os diversos sectores da sociedade civil organizada possam participar” – refere a carta pastoral.
