O representante da Santa Sé na V Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), Frank J. Dewane, criticou duramente o que considera ser um sistema comercial injusto para os países mais pobres do mundo. “O comércio deve trazer benefícios a todas as pessoas e não somente aos mercados e às economias”, disse o subsecretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz na sua intervenção, em Cancún, no dia 13 de Setembro. O texto, divulgado hoje pela sala de imprensa da Santa Sé, lembra que “são sobretudo as economias mais frágeis que têm necessidade de um sistema comercial justo, no qual todos possam participar e beneficiar, na base da mais alta equidade possível de oportunidades”. Os acordos comerciais, para além de questões técnicas, “têm uma natureza política que acarreta vastas e profundas consequências para a vida da humanidade”; acrescentou Dewane. A Santa Sé considera que esta conferência “representa um tempo de esperanças, que se devem concretizar na fidelidade às promessas e compromissos assumidos em relação aos pobres, feitas em Doha.” Nesse sentido, são duras as críticas ao que se considera “progresso insuficiente” nas áreas de comércio com os países mais pobres. Frank J. Dewane alertou os presentes para a necessidade de bens fundamentais como a água, a educação e a saúde permanecerem como “bens de interesse público” da responsabilidade dos Estados, não cedendo à tentação de privatizar serviços nestas áreas. Esta posição de cautela foi aplicada igualmente as temas da propriedade intelectual, das áreas de comércio livre e os acordos agrícolas, tendo em conta os seus efeitos sobre os países mais pobres.
