A Oficina de São José, na Diocese do Porto, espera encerrar o capítulo relativo ao homicídio de um sem-abrigo em que alegadamente estiveram envolvidos 11 dos seus mais de 60 internos. Ontem, 19 de Março, a instituição abriu as portas aos jornalistas por ocasião da celebração do seu patrono e falou sobre o relatório elaborado pela própria Mesa Administrativa da obra, entregue ao Bispo do Porto. Este inquérito foi ordenado à administração da Oficina de São José, no dia 25 de Fevereiro, com o objectivo de averiguar se, no que diz respeito às regras e regulamentos da instituição, houve alguma falha que tenha influenciado o comportamento dos 11 adolescentes ali internados, como explicou à Agência ECCLESIA o Pe. Américo Aguiar, chefe do gabinete episcopal da diocese. Segundo o Pe. Lino Maia, director do secretariado diocesano de Pastoral social e caritativa do Porto e presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), a Oficina de S. José não tem “responsabilidades directas” no crime, por não se terem detectado eventuais falhas no acompanhamento dos jovens suspeitos de homicídio. “Podemos considerar que há alguma responsabilidade moral, na medida em que os jovens estavam confiados à instituição”, explicou à Agência ECCLESIA. O relatório não foi publicado, uma vez que poderia pôr em causa os outros inquéritos em curso, nomeadamente o do Tribunal de Família e Menores. A presença na Oficina de alunos que têm antecedentes criminais ou com inquéritos tutelares e educativos – encaminhados pelo tribunal e pelas comissões de menores – foi outro dos pontos conclusivos no inquérito. “Estas instituições não têm vocação nem condições para acolher estes jovens, não foi para isso que foram constituídas e não é essa a sua missão, que é a de acolher crianças e jovens sem retaguarda familiar, pobres, abandonados”, precisa o presidente da CNIS. Sobre o futuro, este responsável assegura que as instituições “continuarão abertas a acolher crianças e jovens, mas pedem uma reflexão à sociedade e às instâncias competentes, para que se deixe alguma demagogia e se invista em espaços de correcção para os casos que a exigem”. “É preciso recuperar alguns valores para a educação, como sejam o incutir um ideal, propor a disciplina para a execução desse ideal, educar para convivência mais do que para a sobrevivência”, aponta o Pe. Lino Maia. Dando como exemplo a abertura das portas aos jornalistas, este responsável assegura que a Oficina de São José “não tem nada a temer e tem um longo futuro à sua frente”, considerando o assunto do inquérito interno como “encerrado”.
