Laurence Freeman, OSB, director da Comunidade Mundial de Meditação Cristã (www.wccm.org), está de visita a Portugal. Em declarações à ECCLESIA, fala da importância da oração na vida de um católico dos nossos dias A busca de formas de espiritualidade diferentes daquelas que nos habituámos a ver na Igreja Católica tem levado muitas pessoas a procurar respostas noutras religiões ou filosofias, em especial do Oriente. De passagem por Portugal, Laurence Freeman, OSB, director da Comunidade Mundial de Meditação Cristã (www.wccm.org), fala da importância de recuperar, na Igreja, a ideia de procurar Deus no silêncio e na quietude, para além das palavras ou pensamentos. A Meditação Cristã é uma antiga forma de oração cristã, oração contemplativa. Foi ensinada por S. João Cassiano e pelos Padres do Deserto no século IV e redescoberta na 2ª metade do século XX por um monge Beneditino, John Main (1926/1982), que fundou a Comunidade Mundial de Meditação Cristã. Hoje é a Laurence Freeman que compete orientar a comunidade. Este responsável refere à Agência ECCLESIA que “a maior parte de nós cresceu a pensar que oração era falar ou pensar sobre Deus, esquecendo que a meditação também é uma forma de rezar”. Nos cerca de 1000 grupos de meditação presentes em mais de 40 países de todo o mundo, incluindo Portugal, os membros desta comunidade têm um encontro semanal de meditação, aquilo a que os primeiros cristãos chamavam “oração pura”, levando à harmonia interior. Laurence Freeman admite que esta dimensão da vida cristã foi muitas vezes neglicenciada, até pelos próprios líderes da Igreja, para quem a meditação era algo que não interessava ou estava reservado “a monges e freiras”. Por isso, a Comunidade Mundial de Meditação Cristã procura sensibilizar Bispos, padres e dirigentes eclesiais para a importância da oração contemplativa nos dias de hoje, “em especial para os jovens”. “A meditação não é uma questão mental, mas do coração – que nos Cristianismo é o símbolo por excelência para representar a totalidade do ser humano”, aponta. Este jornalista e ex-estudante de literatura inglesa de Oxford, que um dia decidiu entrar na Ordem Beneditina, lamenta que haja quem pense que o Cristianismo se reduza a uma “moralidade”, lembrando que é preciso falar sobre Deus como “beleza”, não só como “bem e verdade”. Aos que desconfiam da utilidade de dedicar muito tempo à oração e à meditação, Laurence Freeman lembra a passagem evangélica de Marta e Maria, assinalando que “Marta ficou tão aborrecida, tão stressada, que já não conseguia fazer bem o seu trabalho, querendo até dizer a Deus o que Ele devia fazer”. “Se perdermos esta ligação ao nosso coração, ao bem, ao belo, o nosso próprio trabalho torna-se caótico”, adverte. A comunidade procura chegar à quietude interior utilizando uma palavra-oração, o mantra, tradição legada pelos primeiros monges cristãos. A contínua repetição da palavra Maranatha, termo aramaico que significa “Vem, Senhor”, procura favorecer a criação de um espaço interior de silêncio. “É simples, mas não é fácil”, assegura Laurence Freeman.
