A demora por parte do Governo em regulamentar a Lei da Imigração nº 34/2003, em vigor desde Março, tem sido uma das causas apontadas pelas organizações da Igreja Católica ligadas às migrações para o aumento da exploração dos trabalhadores do Leste Europeu, originando situações de desespero. No último mês e meio, 46 desses imigrantes morreram no nosso país. “Não há respostas para os irregulares e o desânimo aumenta nesta situação. Muitos estão a ser ainda mais explorados: trabalharam e o patrão não lhes paga, além de ficar com os documentos; outros pagaram ao patrão os descontos para Segurança Social, mas este reteve o dinheiro; as mulheres dos trabalhadores regularizados poderiam empregar-se, mas sem a regulamentação da Lei estão a ser mandadas embora”, refere à Agência ECCLESIA o Pe. Bonifácio, capelão nacional dos ucranianos. “Nos também não sabemos o que havemos de fazer, como ajudar. Quando nos chegam à Igreja sem dinheiro, sem nada, damos do pouco dinheiro que temos, mas isso não basta, porque vão ficar na rua e sem documentos. Eles não querem voltar ao seu país, nem têm dinheiro para voltar: preferem morrer em Portugal do que regressar”, acrescenta. No Porto o Pe. Rudnyk, do Patriarcado Ortodoxo de Constantinopla, denunciou recentemente “situações de pessoas sem documentos, sozinhas com os seus problemas, que vão perdendo a esperança e caminham para a degradação”. Do secretariado diocesano das migrações chega o desafio à Igreja para que atenda “pessoas que se encontram em fase de abandono e desespero”. “Tantas pessoas estão hoje impossibilitadas de encontrar trabalho porque não têm visto, porque o primeiro patrão tirou fotocópias do passaporte, grantindo que tudo ia ficar bem e depois entregou uma fotocópia montada, de contrato de trabalho. Quando descobrem que não se podem legalizar acabam na rua, sem dinheiro, sem alojamento”, acusava Maria Eduarda Viterbo no recente encontro nacional da Pastoral das Migrações.
